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XI Edição da Festa das Sementes Crioulas fortalece agroecologia e saberes tradicionais na Baixada Cuiabana

03 de junho de 2026

O Evento reuniu comunidades rurais de Mato Grosso em celebração coletiva de troca de sementes, preservação da vida, além  de promover a segurança alimentar

Um movimento de troca de saberes e preservação da terra, assim foi a XI Festa da Troca de Sementes Crioulas, que chegou na comunidade São Manoel do Pari, município de Nossa Senhora do Livramento (MT). Com o lema “Plantar, cuidar e produzir em defesa da casa comum”. A celebração tem como objetivo fortalecer a preservação da agrobiodiversidade e os saberes tradicionais, promovendo a segurança alimentar e a resistência camponesa.

A atividade é realizada pela Associação dos Agricultores e Agricultoras Familiares das comunidades Aguaçu Monjolo e São Manoel do Pari, localizada em Nossa Senhora do Livramento(MT), e surge como um espaço cultural, político, educativo e de fortalecimento da vida comunitária, promovendo a preservação das sementes, da memória coletiva e dos modos de vida camponeses frente ao avanço do agronegócio. É um espaço onde as mulheres atuam como guardiãs dos saberes ancestrais e onde a juventude enfrenta o desafio de ser a ponte entre a tradição e a renovação para a continuidade dos conhecimentos agroecológicos.

Dona Miguelina de Oliveira Campos, de 62 anos, é presidente da Associação, ela conta que o evento é um momento de união e capacitação dos trabalhadores rurais da região, um dia de comunhão e partilha.

“É muito interessante nas reuniões de articulação, porque as comunidades também se doam, as famílias também se doam. Porque uma festa do tamanho da nossa precisava estar bem organizada para receber bem as pessoas, organizar bem, para passar o dia divertido, e foi.”

A atividade aconteceu no último dia 28 de setembro. A celebração contou com cerca de 200 pessoas da cidade e dos arredores. Durante todo um dia de sábado de primavera, a atividade promoveu intercâmbio de experiências, celebrando a história, ancestralidade, cuidado e solidariedade dos territórios tradicionais da região. 

A programação contou com café da manhã, credenciamento das sementes, mística de abertura com uma reflexão sobre a importância histórica, cultural e simbólica do evento, formação de grupos técnicos com debates sobre temas como preservação do Cerrado, meio ambiente e proteção das sementes crioulas, além de atividades sobre saúde alternativa e medicina natural e momentos de memória e história da comunidade.

A agroecologia em movimento

Há 11 anos, os festejos circulam como uma ação coletiva de conservação das sementes da região, troca de saberes e cuidado mútuo. Dona Miguelina conta que a atividade também é uma ferramenta de incentivo aos agricultores e às comunidades para o enfrentamento da destruição do meio ambiente e dos impactos dela. Com carinho, ela fala da semente crioula como representação do legado da região, da proteção da terra e da autonomia das famílias do território.

“A semente crioula é a nossa semente, que a gente não perde daqui da região, que a gente não precisa comprar lá na cidade. Muitas vezes, a gente fala que preserva só as sementes, mas não é só isso. A terra também é cuidada com o nosso preparo mesmo, para garantir o nascimento das antigas.”

A Festa da Troca de Sementes Crioulas acontece de forma itinerante, passando por diferentes regiões rurais da Baixada Cuiabana: “cada ano a gente vai em uma comunidade”.

Apoio e viabilização

A iniciativa e o interesse em participar do Programa de Pequenos Projetos  (PPP/CESE) da CESE nasceram da necessidade de garantir a participação de mais membros da comunidade, viabilizando o acesso de todos. O apoio possibilitou transporte, elaboração de camisetas, lembranças, além de suporte na alimentação. A atividade foi construída com o apoio da CESE, da Comissão Pastoral da Terra(CPT-MT) e da Unicafes – União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária.

“Olha, o apoio da CESE foi muito bom mesmo. Era uma coisa que a gente estava precisando e achou que ia ser mais difícil, principalmente nos alimentos, que a gente estava meio preocupado. E aí, quando chegou, deu para ajudar bem, deu para organizar.”

Dona Miguelina ainda explica que os organizadores já estão com data marcada para a próxima edição da festa, no dia 23 de setembro.

Programa de pequenos projetos

Desde a sua fundação, a CESE definiu o apoio a pequenos projetos como a sua principal estratégia de ação para fortalecer a luta dos movimentos populares por direitos no Brasil. Quer enviar um projeto para a CESE? Aqui uma lista com 10 exemplos de iniciativas que podem ser apoiadas:

1. Oficinas ou cursos de formação

2. Encontros e seminários

3. Campanhas

4. Atividades de produção, geração de renda, extrativismo

5. Manejo e defesa de águas, florestas, biomas

6. Mobilizações e atos públicos

7. Intercâmbios – troca de experiências

8. Produção e veiculação de materiais pedagógicos e informativos como cartilhas, cartazes, livros, vídeos, materiais impressos e/ou em formato digital

9. Ações de comunicação em geral

10. Atividades de planejamento e outras ações de fortalecimento da organização.

Clique aqui para enviar seu projeto! Mas se você ainda tiver alguma dúvida, clica aqui.

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