O adeus ao semeador da fé, confiança, amizade e esperança
08 de setembro de 2025
O adeus ao semeador da fé, confiança, amizade e esperança
Recurso de acessibilidade: versão em áudio do texto.
Seja o teu amor o meu consolo, conforme a tua promessa ao teu servo.
Salmos 119.76

“A vida não se mede apenas pelo que conquistamos, mas sobretudo pelo que semeamos no coração dos outros” (William Tavares)
A Diretoria Institucional e a Equipe da CESE–Coordenadoria Ecumênica de Serviço expressam seu profundo pesar pelo falecimento do Rev. Áureo Bispo dos Santos da IPU- Igreja Presbiteriana Unida.
O Rev. Áureo esteve junto àqueles/as que sonharam com uma organização ecumênica diaconal que apoiasse as populações mais vulneráveis do nordeste brasileiro e, com este sonho, ajudou na fundação da CESE. Durante os anos de 1986 a 1998, ocupou diversos cargos em sua Diretoria Institucional. Sua paixão pelo trabalho da CESE, o olhar atento aos detalhes, sua presença pastoral e sua atitude moderada foram sempre apreciados e respeitados por aqueles e aquelas que tiveram a oportunidade de conhecê-lo nas assembleias ou fora delas.
Neste momento de graves ameaças à nossa soberania e à nossa democracia, desejamos que sua mensagem continue ecoando em muitos ouvidos: “não podemos esquecer a mensagem do nosso Senhor Jesus Cristo, profundamente comprometido com as pessoas mais vulneráveis. Este é nosso chamado e nossa vocação profética”.
A CESE une-se àqueles e àquelas que agradecem a Deus pela vida inspiradora e pelo legado deixado pelo Rev. Áureo Bispo e seguiremos em profética e teimosa resistência, semeando fé, esperança, amizade, justiça e solidariedade.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.