Diálogo e articulação com movimentos sociaisEcumenismo e Diálogo Inter-religioso
Tapiri Nordeste reúne povos de comunidades tradicionais, movimentos sociais e comunidades de fé em Pernambuco para fortalecer a resistência aos fundamentalismos e defender a Casa Comum
21 de julho de 2026
Em um cenário de avanço dos fundamentalismos religiosos e políticos, de agravamento da crise climática e de crescente violência contra povos e comunidades tradicionais, reunir-se para dialogar também é um ato de resistência. Foi com esse entendimento que lideranças indígenas, quilombolas, povos de terreiro, pescadoras artesanais, organizações ecumênicas, movimentos feministas e entidades da sociedade civil de diferentes municípios de Pernambuco participaram, em Camaragibe (PE), do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso do Nordeste, promovido pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE).
Durante três dias, de 15 a 17 de julho, o encontro transformou a escuta, a espiritualidade e a troca de experiências em instrumentos de fortalecimento das lutas coletivas, articulando propostas para enfrentar as violações de direitos, defender os territórios e reafirmar o compromisso com a democracia, a justiça socioambiental e a liberdade religiosa.
Inspirado nas experiências dos Tapiris realizados na região Norte, o encontro partiu da compreensão de que o ecumenismo e o diálogo inter-religioso não se restringem às relações entre igrejas, mas constituem instrumentos para a promoção dos direitos humanos e da dignidade dos povos. A diversidade presente no espaço — reunindo diferentes tradições espirituais, organizações populares e movimentos sociais — refletia a própria proposta da CESE de fortalecer redes solidárias capazes de enfrentar as desigualdades e construir respostas coletivas diante das múltiplas formas de violência.
“Depois de percorrermos os nove estados da Amazônia Legal com o nosso Tapiri, finalmente aterrissamos aqui no Nordeste. E era um sonho da CESE já levar o Tapiri para outros estados do Brasil, porque compreendemos que os fundamentalismos religiosos, políticos e econômicos estão presentes em todo o território nacional. E, com muita alegria, nós aterrissamos aqui, em Recife, fazendo esse potente Tapiri, essa grande articulação que a gente entende ser muito importante para a gente sentar e ouvir vozes que vêm dos territórios, com seus corpos que estão sendo afetados por esses fundamentalismos, para que a gente possa criar momentos de escuta, mas também de resistência”, disse.Sônia Mota, diretora executiva da CESE.
As primeiras reflexões evidenciaram que os fundamentalismos deixaram de ser apenas um fenômeno religioso para se tornarem parte de um projeto político que interfere diretamente na vida das comunidades, influencia políticas públicas, amplia desigualdades e legitima práticas de exclusão. Representando o SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia, Mércia Alves chamou atenção para a necessidade de compreender esse fenômeno de forma ampla. Segundo ela, o crescimento dos fundamentalismos está profundamente articulado ao neoliberalismo, ao capitalismo e ao antifeminismo, produzindo impactos diretos sobre a vida das mulheres e das populações historicamente vulnerabilizadas. “O fundamentalismo cotidiano nos proíbe de falar sobre temas importantes para nossos corpos, como saúde sexual e reprodutiva”, afirmou. Em sua análise, a presença cada vez maior de grupos religiosos conservadores em espaços públicos contribui para o enfraquecimento das políticas sociais e restringe direitos conquistados ao longo de décadas de mobilização popular.
A fala dialogou com experiências apresentadas por participantes de diferentes territórios. Géssica Dias, do Fórum do Rio Tejipió, lembrou que enfrentar o fundamentalismo exige presença permanente nas comunidades e capacidade de construir pontes mesmo diante das diferenças. “Antes dizíamos que lutávamos pelo povo. Depois, com o povo. Hoje trabalhamos enquanto povo e, sentindo enquanto povo, podemos lutar contra o fundamentalismo religioso”, afirmou, defendendo que o fortalecimento das organizações populares passa pelo reconhecimento das vivências concretas das pessoas que habitam os territórios.
As mulheres ocuparam papel central em praticamente todos os debates. As experiências compartilhadas mostraram como o machismo, o racismo e o fundamentalismo se cruzam para produzir novas formas de violência, mas também revelaram trajetórias marcadas pela organização coletiva e pela resistência. A pescadora artesanal Joana Mousinho emocionou as pessoas presentes ao recordar sua luta para conquistar espaço nas colônias de pesca, historicamente controladas por homens. “Eu não consigo aceitar ser submissa ao homem. Eu não aguento ser um sapo no pé do boi”, afirmou, sendo aplaudida pelas demais participantes. Seu relato tornou-se símbolo da capacidade das mulheres de transformar estruturas profundamente marcadas pela desigualdade de gênero.
Ao longo do encontro, outro tema atravessou praticamente todas as mesas: o papel do ecumenismo diante das transformações sociais e políticas do país. Para Kézzia Cristina, de Diaconia, o movimento ecumênico também precisa se reinventar para responder aos desafios contemporâneos. “Precisamos atualizar o que é ecumenismo: quem mora nessa casa? Quantos somos? E como estamos?”, provocou.Segundo ela, ampliar o diálogo significa reconhecer novos sujeitos políticos, fortalecer a participação das mulheres, das juventudes, das populações negras, indígenas e LGBTQIAPN+ e construir espaços religiosos comprometidos com a democracia e os direitos humanos’.
As reflexões também apontaram para a necessidade de superar visões que colocam o ser humano acima da natureza. Integrante do movimento Nós na Criação, o pastor Josias Kaeté afirmou que a atual crise ambiental é resultado de uma lógica colonial que transforma a vida em mercadoria. “Esse antropocentrismo entrega uma ecologia colonial. É necessário torturar a natureza até ela entregar tudo o que se queira”, afirmou, relacionando a exploração ambiental ao modelo econômico baseado na concentração de riquezas e na destruição dos territórios tradicionais.
A espiritualidade indígena apareceu como contraponto a essa lógica. Representando o povo Xucuru, Gildo Xucuru compartilhou sua própria experiência de diálogo entre diferentes tradições religiosas e destacou que o respeito à diversidade fortalece tanto a identidade dos povos quanto a construção de alianças. “Aprendemos na cosmovisão do povo Xucuru que a fé tem muitos caminhos”, afirmou, lembrando que o encontro entre diferentes espiritualidades não exige abrir mão da própria identidade, mas reconhecer que há múltiplas formas de compreender o sagrado. A experiência do diálogo inter-religioso também provocou reflexões pessoais. Para Hewrya Lima, coordenadora da Rede LGBT do interior de Pernambuco e presidenta da AMAS LGBT, o Tapiri representou um reencontro com sua própria trajetória de fé.
“Nasci em uma família católica e hoje faço parte de uma religião de matriz africana. Durante muito tempo achei que já não tinha lugar para mim na espiritualidade. O Tapiri me reconectou com a minha história e me fez perceber que podemos transitar entre diferentes experiências religiosas sem perder a essência da fé. O importante é acreditar na vida, no amor e na construção de um mundo melhor”, disse.
Para o pastor Lohan Schulz, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), o encontro também foi uma oportunidade de renovar a própria espiritualidade e refletir sobre o papel das igrejas. “O Tapiri fortalece nosso compromisso com o cuidado da Casa Comum e com a defesa da dignidade humana. Também nos desafia, como igrejas, a rever nossas práticas e a compreender como podemos contribuir para essa construção coletiva.”
Também Antônio Crioulo, liderança quilombola de Conceição das Crioulas, chamou a atenção para outro aspecto dos fundamentalismos contemporâneos: sua vinculação com interesses econômicos. Para ele, algumas lideranças religiosas têm utilizado a fé como instrumento de enriquecimento e de controle social. “O projeto agora não é mais de descrença. É um projeto econômico. As igrejas estão usando a fé para o enriquecimento individual”, afirmou, defendendo que as comunidades fortaleçam formas de espiritualidade comprometidas com a justiça social e a defesa dos direitos coletivos.
As discussões avançaram para um dos temas mais urgentes do encontro: a crise climática e seus impactos sobre os territórios tradicionais. Longe de tratar a emergência climática como um problema abstrato, as lideranças demonstraram que seus efeitos já fazem parte do cotidiano de milhares de famílias nordestinas, especialmente nas periferias urbanas, nos quilombos, aldeias e comunidades rurais.
Representando o Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste, Elizete Maria denunciou as dificuldades enfrentadas pelas agricultoras familiares diante da expansão do agronegócio e do uso indiscriminado de agrotóxicos. “Como produzir de forma agroecológica se o fazendeiro coloca veneno ao lado?”, questionou, defendendo políticas públicas que fortaleçam a agricultura familiar, protejam os recursos naturais e garantam condições dignas para quem produz alimentos.
A representante do GRIS, Mariana reforçou que os impactos das mudanças climáticas não atingem todas as pessoas da mesma maneira. “Quem sofre com o impacto das chuvas tem cor e endereço”, afirmou. Sua fala evidenciou que enchentes, deslizamentos e eventos extremos afetam principalmente populações negras e periféricas, que convivem diariamente com a ausência de saneamento, moradia adequada e infraestrutura urbana. Diante dessa realidade, ela destacou a importância dos planos comunitários de redução de riscos elaborados pelas próprias comunidades como forma de proteger vidas diante da insuficiência das políticas públicas.
Foi nesse ambiente de escuta, denúncia e construção coletiva que os debates passaram a convergir para a necessidade de fortalecer alianças entre povos, organizações e comunidades de fé. Mais do que compartilhar diagnósticos, o Tapiri Nordeste buscava construir respostas concretas para enfrentar as violações de direitos e afirmar que a defesa dos territórios, da democracia e da liberdade religiosa depende da capacidade de caminhar coletivamente.
A defesa dos direitos das mulheres voltou ao centro das discussões na mesa dedicada aos impactos dos fundamentalismos sobre a vida das mulheres. As participantes denunciaram como o avanço de discursos conservadores tem restringido direitos, ampliado a violência política e dificultado o acesso a políticas públicas voltadas à igualdade de gênero. Para Bárbara Gomes, do Coletivo Vozes Maria, a teologia feminista tem sido uma ferramenta importante para construir novos espaços de acolhimento dentro das igrejas e enfrentar práticas históricas de exclusão. “Queremos que a igreja seja um lugar seguro para as mulheres”, afirmou.
A análise foi aprofundada por Ingrid Farias, da Articulação Negra de Pernambuco, ao destacar que o crescimento dos movimentos de mulheres negras tem provocado reações cada vez mais organizadas dos setores conservadores. “O nosso projeto político vem avançando e os fundamentalismos têm visto esse crescimento”, observou. Na avaliação das participantes, o enfrentamento ao racismo, ao machismo e às desigualdades passa necessariamente pela defesa da democracia e pela garantia da participação das mulheres nos espaços de decisão.
Também foram debatidos os impactos desse cenário sobre a educação pública. Ericka Vieira, do Fórum de Mulheres de Pernambuco, alertou para a crescente interferência de grupos religiosos conservadores nas escolas. “Em Pernambuco, estamos sofrendo com os intervalos bíblicos nas escolas e com a perseguição aos debates de gênero”, afirmou. Para ela, a defesa do Estado laico continua sendo uma condição fundamental para assegurar uma educação comprometida com os direitos humanos e o respeito à diversidade.
Encerrando essa roda de diálogo, Ana Alice, do Coletivo Força Tururu, destacou o papel estratégico da comunicação popular diante da circulação de discursos de ódio e desinformação. “O fundamentalismo cala e a comunicação escuta”, resumiu, defendendo o fortalecimento de redes comunitárias de comunicação capazes de dar visibilidade às lutas dos povos e das comunidades tradicionais.
O encontro ampliou ainda mais o olhar sobre os desafios enfrentados pelos territórios, reunindo lideranças indígenas, quilombolas e representantes dos povos de terreiro para discutir racismo religioso, racismo ambiental e a permanente disputa pela terra. As falas evidenciaram que esses processos não podem ser analisados separadamente, pois fazem parte de uma mesma estrutura histórica de violência contra os povos originários e a população negra.
Vera Baroni, da Rede das Mulheres de Terreiro de Pernambuco, lembrou que a luta pela terra permanece como um dos maiores desafios para os povos tradicionais. “A luta pela posse da terra para plantar e para comer é uma luta essencial para o nosso país”, afirmou. Em sua avaliação, defender os territórios significa também proteger modos de vida, conhecimentos ancestrais, práticas de cuidado com a natureza e formas coletivas de organização que seguem ameaçadas pelo avanço de grandes empreendimentos econômicos.
A educação também apareceu como um instrumento fundamental de resistência. Pai Ivo de Xambá defendeu o fortalecimento das escolas quilombolas e a valorização da memória dos povos negros. “Enquanto os leões não contarem suas histórias, vai prevalecer a história do caçador”, afirmou, ao denunciar o apagamento histórico das contribuições indígenas e afro-brasileiras na formação do país.
Vivência no Centro Educacional e Cultural Afoxé Oyá Alaxé
No segundo dia, as participantes tiveram uma vivência no Centro Educacional e Cultural Afoxé Oyá Alaxé, no Pátio de São Pedro, em Recife (PE), com momentos de diálogo, história, ancestralidade e encantamento. Na ocasião, Sônia Mota entregou o estandarte do Tapiri ao Centro, como forma de marcar esse momento especial e referenciar o espaço sagrado.
As denúncias apresentadas durante todo o encontro foram convergindo para a elaboração coletiva da Carta-Denúncia do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso do Nordeste. Construído pelas organizações participantes, o documento sintetiza as preocupações, reivindicações e compromissos assumidos ao longo dos três dias de atividades. A carta denuncia o fortalecimento dos fundamentalismos religiosos e políticos, o racismo religioso, a intolerância contra os povos de terreiro, os impactos da crise climática sobre as populações mais vulneráveis e a expansão de grandes empreendimentos que violam direitos de comunidades tradicionais. O documento também chama a atenção para o avanço da mineração sobre territórios quilombolas, os impactos dos projetos de energia eólica e solar instalados sem consulta às comunidades, a contaminação provocada pelo uso intensivo de agrotóxicos, o racismo ambiental nas periferias urbanas e a exploração sexual de meninas no Sertão Central de Pernambuco.
Entre as denúncias que mobilizaram maior preocupação durante o encontro, esteve a possibilidade de implantação de uma usina nuclear utilizando as águas do Rio São Francisco,como mais uma ameaça aos territórios tradicionais e à segurança hídrica da região. Também ganharam destaque as denúncias sobre o assédio de empresas mineradoras em Conceição das Crioulas e os impactos de grandes empreendimentos energéticos sobre nascentes e áreas de uso coletivo das comunidades.
Além de denunciar, a carta apresenta reivindicações dirigidas ao poder público. As organizações defendem a demarcação e titulação dos territórios indígenas e quilombolas, o fortalecimento das políticas de proteção aos povos tradicionais, o combate ao racismo religioso, a garantia da liberdade de crença, a revisão dos projetos de transição energética que desrespeitam o direito à consulta prévia das comunidades e a ampliação de políticas de enfrentamento à emergência climática e às desigualdades sociais. O documento também reivindica investigações rigorosas sobre os casos de exploração sexual e tráfico de pessoas denunciados durante o encontro e reforça a necessidade de preservar a laicidade do Estado como condição para a efetivação dos direitos humanos. Mais do que um documento político, a carta tornou-se a expressão coletiva de um encontro marcado pela escuta, pela partilha de experiências e pela construção de alianças entre diversos sujeitos.
Ao longo dos três dias, reafirmaram que a defesa dos territórios passa pela defesa da democracia, da justiça climática, da igualdade de gênero, da liberdade religiosa e do direito dos povos de viverem de acordo com seus modos de existência. Para Bianca Daébs, da CESE, o primeiro Tapiri Nordeste confirmou a potência do diálogo entre diferentes sujeitos. “Realizamos o 11º Tapiri da CESE e o primeiro na região Nordeste. Foram três dias reunindo pessoas de diferentes pertenças religiosas, povos e comunidades tradicionais, juventudes, movimentos de mulheres, quilombolas, indígenas, povos de terreiro e igrejas para refletir sobre como os fundamentalismos religiosos afetam a luta pelos direitos humanos e socioambientais. Saímos daqui com o coração fortalecido e a certeza de que essa experiência ficará na memória e na caminhada de todas as pessoas que participaram.”
O Tapiri Nordeste encerrou-se reafirmando o compromisso histórico da CESE com o fortalecimento das lutas populares e do diálogo ecumênico como instrumentos de transformação social. Em tempos de crescimento da intolerância e de aprofundamento das desigualdades, o encontro demonstrou que a construção de redes de solidariedade continua sendo uma das principais estratégias para enfrentar os desafios do presente. Como afirmaram as participantes na mensagem final da carta, a resistência permanece sendo um compromisso coletivo: “Se tiver que tombar, a gente tomba na luta, mas a gente não deixa”.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.