<a href="https://www.cese.org.br/forun-act-alianca-fesur-um-compromisso-por-acoes-que-iluminem-o-caminho/"><strong>Fórun ACT Aliança FESUR: Um compromisso por ações que iluminem o caminho</strong></a>
24 de agosto de 2020
Por Claudia Florentin – ALC Notícias
De 19 a 21 de agosto, organizações membros da ACT Alianza na América do Sul, realizaram o Seminário Internacional “Fundamentalismos, Democracia e Direitos Humanos: fé na ação por uma vida plena e digna na América do Sul”. Estiveram presentes 60 representantes de organizações religiosas e igrejas da América do Sul, que fazem parte da ACT Alianza e seus aliados, bem como agências ecumênicas internacionais, que emitiram uma Declaração de Compromisso.
Leia na íntegra:
Com profunda gratidão aos sinais divinos que vêm do trabalho a partir da paz, que nos une com amor e justiça em lutas e esforços compartilhados que fazem sentido em nossa América do Sul, e a partir do espírito ecumênico que nos estimula a novos desafios, assumimos com responsabilidade e esperança a criação do FESUR, como um espaço coletivo de ação, que está gestando novas e melhores ideias e projetos para responder o que está acontecendo na região com uma FÉ viva e desafiadora.
Nossa jornada compartilhada como FESUR é parte de um longo processo que teve, como ponto importante, a Conferência Global sobre América Latina e Caribe em março de 2019 na Guatemala. Foi quando membros dos Fóruns ACT da Argentina, Brasil, Colômbia e Peru concordaram sobre a validade e importância da consolidação do Fórum Ecumênico ACT Sulamericano (FESUR), como instrumento de ação e incidência na realidade sociopolítica de um continente encurralado devido ao aprofundamento das desigualdades estruturais, a redução dos espaços de participação da sociedade civil, ao aumento da violência e do assassinato de
defensores e defensoras dos direitos humanos e pelo enfraquecimento das democracias.
É essencial uma ação determinada com uma agenda de trabalho definida para os contextos onde crescentes fundamentalismos religiosos, políticos e econômicos invisibilizam e restringem os direitos de setores e comunidades já vulneráveis: grupos LGBTIQ +, povos indígenas e Quilombolas, população negra, crianças e adolescentes , mulheres de todos os grupos étnicos e
condições e milhões de pessoas criminalizadas por sua condição de migrantes. Esta ação é chamada a contestar não só as narrativas de medo predominantes, onde “o outro” é alguém a temer e odiar, mas também a estabelecer com certeza que qualquer construção de uma sociedade mais justa e solidária depende – em todos os momentos – de a atuação conjunta de todos os setores sociais e da FE de nossa região.
Abraçamos o sonho de um continente melhor, onde:
✓ A diversidade de pessoas e a pluralidade de seus pensamentos sejam uma riqueza a ser mantida.
✓ As múltiplas desigualdades, sejam um desafio a ser superado cotidianamente.
✓ Os projetos empreendidos coletivamente e em comunidade, sejam a referência para o caminho, mas também um lugar compartilhado, para caminhar com outras pessoas.
Que nossos compromissos sejam fortes e duradouros. Nossas vozes, firmes e de apoio. E nossos gestos, de amor e esperança.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
‘Seguimos sendo uma igreja profética, que transforma palavras em ações e apoia aqueles povos que historicamente sofrem as consequências das desigualdades. Saio deste momento com muita gratidão. Parabéns à CESE por, em nome das igrejas, estar comprometida com a defesa dos direitos humanos, a justiça social e a luta dos povos e comunidades tradicionais em todo o território nacional. Continuem contando conosco.” – Pastor Mauro Batista de Souza (IECLB).
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.