Feira de Sabores e Saberes promove troca e intercâmbio de experiências
12 de novembro de 2018



Foi aberta ao público, na manhã da última sexta-feira (09), a Feira de Sabores e Saberes, da Cáritas Brasileira Nordeste III em parceria com a CESE. Com a participação de experiências de empreendimentos solidários e populares, os visitantes puderam conhecer os grupos, saborear alimentos, adquirir produtos artesanais e se divertir com a música, poesias e apresentações do Sarau da Onça, Grupo de Hip Hop da Casa do Sol e Percussão do MOCA.
A ação integra a programação da Semana da Solidariedade, e foi composta por diversos grupos populares (entre eles Quilombo Rio dos Macacos, REDEMOINHO – Cooperativa de Comércio Justo e Solidário, Associação Lagoa Negra, Grupo Produtivo de Artesanato, Rede de Mulheres do Jacuípe, Levante Popular da Juventude, Movimento de Cultura Popular do Subúrbio, Movimento de Pescadores e Pescadoras da Ilha de Maré), que comercializaram itens gastronômicos como pão de macaxeira, bolacha de tapioca e batata doce, sequilhos, castanhas, mel, cocadas e compotas de frutas, além de artesanatos em cerâmica, sisal, crochê, bordados, bolsas, livreiros e bonecas.
Além das produções, cada grupo trouxe nos materiais comercializados a luta e a história do seu povo. Leilane Domitilla Souza trouxe para a Feira de Sabores e Saberes a arte das mulheres indígenas do Coletivo de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós (PA): “Através do artesanato indígena, buscamos uma independência financeira e uma fonte de renda para as mulheres. Viver da arte e do que produzimos é fundamental não só para não sairmos do nosso território, mas também para manter a floresta em pé.”.



Marizélia Lopes, do Movimento de Pescadores e Pescadoras da Ilha de Maré (BA), partilhou com os visitantes como a utilização de espaços como a feira é importante para a comunidade resistir pelo direito à manifestação da cultura e modos de vida: “A Feira é um instrumento de resistência. Não é só um produto, é a história da gente. Todas as comunidades pesqueiras têm dificuldade de comercialização. Por isso temos que potencializar esses espaços, visibilizar”, afirmou Marizélia.
A exposição dos produtos trouxe também a discussão sobre a alimentação orgânica e a agroecologia como promotoras da saúde, da soberania e da sustentabilidade. Francisco dos Santos, do Movimento de Pequenos Agricultores (SE), descreveu sistema produtivo do arroz e defendeu a comercialização que promove o bem viver da sociedade: “Neste cenário de retrocessos é muito importante participar de espaços como estes, em que podemos divulgar o nosso produto e nossa capacidade de produção. É uma oportunidade de mostrar para a sociedade que a produção agroecológica não degrada o meio ambiente e não põe veneno na mesa do consumidor.”.
O evento também integrou a roda de conversa sobre o protagonismo das mulheres na construção de uma outra economia inspirada na solidariedade e no compartilhamento, e lançamentos dos vídeos documentários Sem medo de ser mulher e Convivência com Semiárido.
A Feira de Sabores e Saberes foi criada com o objetivo de ser um espaço de vivência, visibilidade e troca sobre a temática da Economia Solidária. O evento ocorreu entre os dias 09 e 10 de novembro, no Museu de Artes da Bahia, em Salvador (BA), com apoio da agência MISEREOR, obra episcopal da Igreja Católica da Alemanha.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.