Equipe da agência suíça HEKS EPER visita a comunidade de Ilha de Maré
15 de abril de 2019
A equipe de Heks Eper, agência suíça que apoia a CESE, esteve em Salvador neste sábado (14) para visita de monitoramento do Programa País – Quadriênio 2016-2020. Para demonstrar o alcance e efeitos da parceria com a agência, foi organizada visita a comunidades da Ilha de Maré, que vivenciam sucessivas violações de direitos decorrentes da crescente presença de petroquímicas no entorno da Baía de Todos os Santos.
O Museu Vanderlei Pinho abriga a história da chegada das comunidades quilombolas à região
A parte da manhã e início da tarde foi destinada ao Toxic tour, que consiste em uma visita guiada por pescadoras e marisqueira à baía de Aratu, na orla entre os municípios de Salvador, Simões Filho e Candeias. A proposta foi denunciar a contaminação industrial que abate a região, debatendo sobre os impactos ambientais e sociais sofridos pelas comunidades locais.
Após o Toxic Tour, foi realizada roda de diálogo com mulheres, crianças, e jovens moradores da Ilha de Maré. No momento, os pescadores, pescadoras e marisqueiras compartilharam não só as resistências que travam diariamente, mas contaram as histórias de seu povo, as riquezas naturais e culturais as quais alimentam o sonho, a utopia e a gana para permanecerem, unidos e unidas, em seus territórios ancestrais.

Ao som do hino “Cerca nas águas, derrubar!”, entoado pela comunidade e visitantes, energicamente, a visita a Ilha de Maré foi finalizada, com pedido de que a agência Heks Eper se some à mobilização e seja também uma porta-voz do processo de criminalização que as lideranças locais tem sofrido e das violações aos direitos humanos dos povos da região.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
