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Em parceria com a CESE, Cimi leva auxílio a povos indígenas afetados por fortes chuvas na Bahia e em Minas Gerais
07 de abril de 2022
Bahia e Minas Gerais foram alguns dos estados que mais sofreram os impactos das fortes chuvas que atingiram algumas regiões do Brasil em dezembro de 2021. Cidades inteiras foram alagadas, famílias perderam casas, imóveis, vidas foram ceifadas. Povos indígenas também viveram momentos de tensão. Logo nas primeiras chuvas, muitas aldeias ficaram ilhadas, com danos à infraestrutura, vias de acesso e plantações foram destruídas.
Apenas na Bahia, 11 mil indígenas de nove povos foram atingidos/as pelas enchentes, segundo Agnaldo Francisco dos Santos, liderança dos Pataxó Hã-Hã-Hãe Ele aponta que, de todos os municípios que declararam estado de emergência, 19 tinham terras indígenas e, das 195 comunidades indígenas, 104 foram atingidas. Em Minas, calcula-se que aproximadamente 25 mil indígenas foram atingidos/as pelas enchentes.
As mesmas famílias que foram atingidas pelas chuvas, já vinham sofrendo o impacto da pandemia de Covid-19, o que agrava ainda mais o quadro de vulnerabilidade. Diante desse contexto, a CESE e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) – Regional Leste se mobilizaram para socorrer algumas comunidades atingidas apoiando ações de solidariedade mais estruturantes no período pós-enchente, fortalecendo sobretudo o empoderamento econômico e a segurança alimentar e nutricional, de forma a contribuir para o bem viver local.
Dentre as ações apoiadas estão aquisição de materiais para recuperação de canais de irrigação e de caixas para captação de água da chuva; compra de itens para realização de oficinas de material de higiene, bio joias, artesanato, miçangas; distribuição de sementes nativas de feijão, milho, mandioca, abóbora, fava, gergelim, entre outras; e aquisição de 220 cestas de alimentos para as famílias que se encontravam em situação de maior vulnerabilidade alimentar.
Considerando todas as ações realizadas, foram atendidas dezenas de comunidades indígenas, formadas por povos Xakriabá, Pataxó, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Atikum, Kiriri, Tupinambá, Imboré, Kamakã, Maxakali, Pankararu-Pataxó, Aranã Caboclo e Mokuriñ. Ao todo, cerca de 1200 famílias foram beneficiadas.
O Cimi foi o executor das ações nas localidades selecionadas e a CESE ficou com a responsabilidade de gerir os recursos e realizar as aquisições dos produtos. O projeto teve apoio da Swiss Solidarity, uma fundação independente criada pela SRG SSR, a corporação suíça de meios de comunicação, que se dedica às vitimas de desastres e conflitos. O projeto teve suporte da aliança Terre des Hommes Suisse e terre des hommes swcheiz no Brasil e da Cosude.

Haroldo Heleno, coordenador do Cimi Regional Leste afirma que a contribuição da CESE e Terre des Hommes Suisse chega em um momento desafiador para estas comunidades, que já vinham enfrentando o descaso do governo federal e foram duramente castigadas pelas enchentes. “Neste sentido, essa solidariedade é mais do que uma ajuda na garantia da soberania alimentar. É a possibilidade de resgatar a cidadania e a auto-estima destas comunidades. A palavra que temos neste momento é gratidão.”
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.