”Fraternidade e Ecologia Integral” é tema de Roda de Diálogo na CESE
21 de fevereiro de 2025
”Fraternidade e Ecologia Integral” é tema de Roda de Diálogo na CESE
Recurso de acessibilidade: versão em áudio do texto.
Na última quinta-feira, 20, a CESE sediou uma Roda de Diálogo sobre Fraternidade e Ecologia Integral, tema da Campanha da Fraternidade 2025. O evento contou com a presença do teólogo e biblista Marcelo Barros, que compartilhou suas reflexões sobre a relação entre fraternidade e o cuidado com a Casa Comum.

Durante a roda de diálogo, Barros enfatizou a importância de uma conversão integral diante da crise socioambiental que vivemos. Ele nos convidou a refletir sobre como nossas ações impactam o meio ambiente e as futuras gerações, e sobre como é essencial adotar práticas que promovam a justiça social e ambiental. Ressaltou a importância de olharmos as espiritualidades indígenas e de matriz africana como exemplos de integralidade. O evento foi uma iniciativa do CEBIC, CESE, Cáritas Nordeste NE e CEBI Bahia fortalecendo a construção de um futuro mais justo e sustentável.

‘’
Campanha da Fraternidade 2025
A Campanha da Fraternidade 2025 tem como tema “Fraternidade e Ecologia Integral” e o lema “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). Esta edição convida à reflexão sobre a relação entre fraternidade e o cuidado com a criação, enfatizando a necessidade de uma conversão integral diante da crise socioambiental atual, à luz da COP 30, que será realizada em Belém do Pará.


A identidade visual da campanha destaca São Francisco de Assis, reconhecido por sua reverência à natureza, e elementos da biodiversidade brasileira, simbolizando a riqueza e a fragilidade do meio ambiente.
Para aprofundar-se no tema, a CNBB disponibilizou um vídeo explicativo:
Sobre Marcelo Barros
Marcelo Barros é um monge beneditino, teólogo e biblista brasileiro, reconhecido por sua atuação em movimentos sociais e pelo diálogo inter-religioso. Nascido em Camaragibe, Pernambuco, em 27 de novembro de 1944, ingressou no Mosteiro de Olinda aos 18 anos e foi ordenado presbítero em 1969 por Dom Hélder Câmara. É um dos fundadores do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) e membro da Comissão Teológica da Associação Ecumênica dos Teólogos do Terceiro Mundo (ASETT), que reúne teólogos da América Latina, África, Ásia e minorias negras e indígenas da América do Norte.
Além de sua formação teológica, Marcelo Barros é autor de diversos livros e tem se dedicado ao estudo das relações entre o cristianismo e as religiões negras e indígenas, desenvolvendo a “Teologia da Terra” dentro da Teologia da Libertação.
Para conhecer mais sobre seu trabalho e publicações, é possível visitar seu site oficial: marcelobarros.com
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
“Sou a presidente aqui da Comunidade Quilombola Menino Jesus e é um prazer, uma honra, receber o pessoal das igrejas que fazem parte da CESE. A gente sempre gosta de receber pessoas, tanto daqui de perto quanto de longe, e com vocês não foi diferente. Sempre procuramos dar o nosso melhor para acolher quem chega e para mostrar um pouco da nossa comunidade e da nossa luta. Falar do nosso quilombo é motivo de muito orgulho para nós. Temos orgulho de ser quilombolas, da nossa história e da nossa identidade”
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.