Revolta dos Búzios: reparação histórica na tela
27 de novembro de 2024
No dia 21 de novembro, na Sala de Arte Cinema do Museu, localizada no Corredor da Vitória, foi exibido o filme “1798: Revolta dos Búzios/Um Sonho de Liberdade na Bahia do Século XVIII”, dirigido por Antônio Olavo.
A equipe da CESE e outros(as) convidados(as) marcaram presença na sessão do documentário, que narra a história dos mártires da Revolta dos Búzios, um evento emblemático da resistência contra a opressão colonial e a escravidão no século XVIII. Durante o evento, Antônio Olavo destacou que sua relação com a instituição já dura mais de 30 anos, com o apoio contínuo em ações contra o racismo.

Conhecida também como Conjuração Baiana, a Revolta dos Búzios teve como protagonistas os mártires João de Deus, Luís Gonzaga, Lucas Dantas e Manoel Faustino, que foram reconhecidos como Heróis Nacionais. O quinto membro do movimento, Antônio José, ainda está em processo de análise para ser incluído na lista de heróis.
Em contraste com a Inconfidência Mineira, que tem Tiradentes como mártir e é lembrada com um feriado nacional em abril, a Conjuração Baiana, apesar de ser contemporânea, não obteve a mesma notoriedade, refletindo as marcas do racismo em nossa história.

NOVEMBRO NEGRO
A sessão foi seguida por um debate com o professor Dr. Samuel Vida (UNEB), que discutiu o conceito de “constitucionalismo negro” e sua relação com o tema do filme: “A Revolta dos Búzios expressa, de maneira contundente, o constitucionalismo negro ao propor a criação de uma república, a República Bahiense, e, inevitavelmente, a elaboração de uma constituição”.
Kátia Castilho, da equipe financeira da CESE, comentou: “Percebi que conhecia a história de forma muito superficial. Os livros não contam nem um terço do que realmente aconteceu. Essa iniciativa da CESE foi fundamental para nos mostrar essa história de forma mais profunda.”
O filme faz parte de uma série de ações para dar visibilidade à Revolta dos Búzios durante o Novembro Negro. No dia 8 de novembro, aconteceu a Caminhada em Homenagem aos Mártires da Revolta dos Búzios, organizada pelo Fórum de Entidades Negras, que reuniu diversos movimentos sociais e representantes. O percurso foi da Praça da Piedade até a Câmara Municipal, no Pelourinho. A ação foi apoiada com recursos do Programa de Pequenos Projetos.
A CESE iniciou o Novembro Negro celebrando os 10 anos da Rede de Mulheres Negras da Bahia, com vídeos de depoimentos das mulheres fundadoras da rede. Além disso, intensificou a divulgação da construção coletiva da II Marcha das Mulheres Negras, com relatos de mulheres do Norte e Nordeste que participaram da I Marcha em 2015. Foram 8 vídeos que mostraram como a participação na primeira marcha fortaleceu as ações dos coletivos no enfrentamento ao racismo. Todas essas ações dialogam com as Políticas Institucionais e Referenciais da CESE.
Trailer Oficial:
https://www.youtube.com/watch?v=oQUYGrxFXEA
Depoimento de Suely Santos – Rede de Mulheres Negras da Bahia
https://www.instagram.com/reel/DB8x2n5Jg43/?igsh=Y2w0dmYwZWdzcmhn
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.