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O Genocídio de jovens negros e pobres como política de Estado: a sociedade brasileira precisa dar um basta
04 de dezembro de 2019
Nota pública da Plataforma Dhesca Brasil sobre as mortes de Lucas Martins dos Santos na cidade de Santo André e dos nove jovens na favela de Paraisópolis na cidade de São Paulo.
A Plataforma Brasileira de Direitos Humanos – Dhesca Brasil vem a público denunciar como o racismo estrutural que fundamenta as ações da Polícia Militar do Estado de São Paulo destrói famílias de crianças e jovens negros e pobres diariamente. Manifestamos nosso apoio e solidariedade a estas famílias, que merecem uma explicação do Estado sobre as circunstâncias da brutalidade da morte de seus entes queridos, e nossa profunda indignação frente à defesa do Governador do Estado de São Paulo – noticiada pela imprensa – de uma política de segurança pública que assassina e viola direitos impunemente.
Durante as últimas semanas, o Estado de São Paulo se deparou com mais crimes bárbaros cometidos pela Polícia Militar. Em vez de garantir a segurança de todos os cidadãos, a instituição tem promovido ações desastrosas que culminam em um verdadeiro massacre à população negra e pobre.
Morador da Favela do Amor, Lucas dos Santos, de apenas 14 anos, desapareceu na porta de sua casa, em meados de novembro, e foi encontrado morto semanas depois em um lago na cidade de Santo André. Após uma abordagem policial na porta de sua casa, a criança não foi mais vista.
Outro crime perpetrado por ação deliberada da Polícia Militar de São Paulo causou a morte de nove jovens que tinham entre 14 e 23 anos, no dia 01 de dezembro, após tumulto causado por PM’s em um baile funk na favela de Paraisópolis. Os relatos apontam que houve uma emboscada por parte dos agentes de segurança pública, que fecharam todas as quatro saídas possíveis do local do baile e que perseguiram pessoas pelas vielas de Paraisópolis de forma truculenta. No primeiro momento, foi noticiado que os jovens teriam morrido em decorrência de pisoteamento. No entanto, segundo a imprensa, consta nos atestados de óbito que as mortes teriam sido causadas por asfixia mecânica e traumas na coluna.
O crescimento acelerado dos casos de violência cometidos pela Polícia Militar e por outros agentes e instituições públicas, e do estímulo à perseguição e aos crimes de ódio exige que as diferentes forças da sociedade brasileira comprometidas com o Estado Democrático de Direito se somem, urgentemente, aos movimentos negros, de direitos humanos e outros movimentos sociais e redes de sociedade civil. É necessário um posicionamento firme contra essa barbárie e a responsabilização das autoridades públicas que a alimentam perversamente.
Por Plataforma Brasileira de Direitos Humanos – Dhesca Brasil
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.