Mulheres negras do Ceará realizam encontro de preparação para Marcha Nacional em Brasília
17 de julho de 2025
Mulheres negras do Ceará realizam encontro de preparação para Marcha Nacional em Brasília
Recurso de acessibilidade: versão em áudio do texto.
Cerca de um milhão de mulheres em todo o Brasil se preparam para ocupar as ruas de Brasília (DF) no mês de novembro na 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras. Ao longo do ano, atividades de formação e organização estão sendo desenvolvidas em diversos estados para fomentar a mobilização desta que já se apresenta como um dos marcos das lutas populares do país. No Ceará, um dos momentos centrais desse processo foi o Encontro Estadual de Mulheres Negras, realizado entre os dias 4 e 6 de julho no município de Caucaia, que reuniu cerca de 60 mulheres de mais de 10 cidades do estado.
Com a presença de pessoas de diferentes idades, territórios, mulheres trans, lésbicas, bissexuais, com deficiência, de terreiro, quilombolas e diversos outros segmentos, o encontro fortaleceu a unidade entre as mulheres negras do estado rumo à marcha nacional. Para Luciana Lindenmeyer, ativista da Rede de Mulheres Negras do Ceará e integrante do comitê impulsor estadual, a atividade, que contou com o apoio da CESE, também cumpriu um importante papel organizativo.
“O Encontro foi fundamental para fortalecer a mobilização que estava sendo realizada. Muito importante para reunir mulheres dos diversos territórios do Ceará e para planejar nossos próximos passos até novembro”, aponta.


Protagonismo das mulheres negras
A organização para Marcha Nacional teve início no Ceará em 2024, quando foi constituído o comitê impulsor estadual. Desde então, cerca de 40 mulheres negras de 20 coletivos, principalmente da Região Metropolitana de Fortaleza, Cariri e Ibiapaba, participam organicamente do processo de mobilização.
Guiadas pela luta por Reparação e Bem Viver, lema que orienta as ações em torno da mobilização para Brasília, o encontro estadual buscou ser um espaço para engajar mais lutadoras populares, desenvolver novas lideranças e aprofundar o debate sobre o racismo, patriarcado e capitalismo, que estruturam a realidade brasileira. Nesse sentido, a atividade também ressaltou a importância do papel das mulheres negras nas lutas sociais e políticas do Brasil.
“Mulheres negras são protagonistas de lutas há muitas décadas no país, mas sem reconhecimento e com o racismo invisibilizando sua contribuição”, salienta Luciana. A ativista também elenca diversas pautas discutidas que envolvem a vida e os direitos das mulheres cearenses e que também serão levadas para Brasília.
“A marcha já é um evento nacional e internacional e o Ceará tem lutas necessárias para expor, como a precarização do trabalho das mulheres, altos índices de violências, sobrecarga com o trabalho de cuidado, encarceramento, feminicídio e transfeminicídio.”
Além dos espaços de análise de contexto e formação, a programação do encontro também contou com momentos de partilha sobre a construção da marcha nos territórios, de planejamento de ações conjuntas e de um ato público, que fez ecoar os batuques e palavras de ordem das mulheres em defesa dos seus direitos. Luciana destaca que o balanço coletivo do evento foi muito positivo e que os próximos passos também estão voltados para arrecadar recursos que viabilizem a ida da delegação cearense para a marcha.
“A atividade foi muito bem conduzida. A atividade realizada em grupos e o último dia de planejamento concreto das ações indicou as estratégias para ampliar a mobilização em outras regiões do estado. Os próximos passos envolvem seguir organizando rodas e atividades com mulheres negras em todos os espaços e realização de ações públicas que possibilitem a arrecadação de recursos para a marcha”, aponta.

A ativista também destaca a importância do apoio da CESE para o fortalecimento dessa iniciativa.
“O apoio da CESE foi essencial para que o Encontro acontecesse. Viabilizou efetivamente o deslocamento das mulheres de Pacajus, Crato, Bárbara, Várzea Alegre, Juazeiro do Norte, Paracuru, Tamboril, Fortaleza, Eusébio, Caucaia, Barreira, Maracanaú. Viabilizou as questões estruturais pro encontro, parte importante da alimentação e materiais de divulgação e para que a metodologia ocorresse de forma qualificada”.
Programa de Pequenos Projetos
Desde a sua fundação, a CESE definiu o apoio a pequenos projetos como a sua principal estratégia de ação para fortalecer a luta dos movimentos populares por direitos no Brasil.
Quer enviar um projeto para a CESE? Aqui uma lista com 10 exemplos de iniciativas que podem ser apoiadas:
1. Oficinas ou cursos de formação
2. Encontros e seminários
3. Campanhas
4. Atividades de produção, geração de renda, extrativismo
5. Manejo e defesa de águas, florestas, biomas
6. Mobilizações e atos públicos
7. Intercâmbios – troca de experiências
8. Produção e veiculação de materiais pedagógicos e informativos como cartilhas, cartazes, livros, vídeos, materiais impressos e/ou em formato digital
9. Ações de comunicação em geral
10. Atividades de planejamento e outras ações de fortalecimento da organização
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