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Mulheres do Mato Grosso do Sul fortalecem sua autonomia produtiva

28 de abril de 2026

Capacitação política e agroflorestal amplia ações de recuperação ambiental no Cerrado

Com a proposta de organização coletiva das mulheres camponesas para garantir seus direitos, fortalecer sua autonomia alimentar e promover o cuidado com o meio ambiente, a Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Mato Grosso do Sul (AMTR – MS), com o projeto de Dupla Participação (PDP), da CESE, deu vida a biorecuperação de solos degradados e estratégias agroecológicas integradas no Assentamento Nazareth.

Situado no município de Sidrolândia, Mato Grosso do Sul, a área enfrenta severas limitações hídricas e está cercada por grandes propriedades do agronegócio. Esse contexto mobilizou a necessidade das famílias de reforma agrária formularem maneiras para restaurar os processos produtivos da terra. Com ideia inicial de atender 10 famílias, o projeto, diante da necessidade percebida pelo território, chegou a atender 80 pessoas durante as formações, contemplando as mulheres e suas famílias.

A demanda sinalizou a urgência da proposta coletiva de resistência e cuidado com o território, alinhados às necessidades locais. Assim, o projeto contou com: a realização de capacitações em práticas sustentáveis, trocas de insumos e saberes, acompanhamento técnico, incentivo do uso de sementes crioulas, fomento à organização comunitária e a autonomia produtiva. Isso tendo em vista o protagonismo das mulheres e a recuperação ambiental das áreas degradadas, junto a implantação de SAFAs (Sistemas Agroflorestais Agroecológicos).

Além dos resultados se mostrarem na transformação de áreas degradadas, a diversificação da produção, a conscientização ambiental e a replicabilidade do modelo, que contribuiu para a promoção da sustentabilidade e o desenvolvimento local. As formações ainda foram fundamentais para a multiplicação de sementes para compartilhar com outros Estados, bem como a preparação e engajamento das mulheres para o Congresso Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas, em Brasília, onde se teve as trocas de sementes, mudas e participação política. 

“Oh, se você plantar tem, se você não plantar você não tem”, menciona Viviane Mallmann, coordenadora do projeto e dirigente do AMTR – MS ao lembrar da fala de uma das mulheres que já está reciclando as sementes, que tem mais de 80 anos, e que agradeceu por ir a Brasília e estar junto aprendendo.

“Então, nós fizemos um trabalho de resgate das sementes crioulas, fomentando o plantio e o resgate e o armazenamento dessas sementes. E cada Estado se responsabilizou por um cultivar. Nós aqui no Mato Grosso do Sul ficamos responsáveis pelo feijão. A gente levou mais de 70 espécies diferentes de feijão para esse congresso. E aqui dentro das comunidades agora, essas mulheres que participaram do projeto da CESE, inclusive, já semearam as sementes que voltaram do congresso, já colheram, já voltaram para o banco de sementes e nós já estamos redistribuindo”, conta sobre o movimento cíclico já realizado.

O fortalecimento desse processo, vem consolidando o Assentamento Nazareth como referência regional em práticas agroecológicas e recuperação ambiental, incentivando outras famílias de assentamentos vizinhos a replicarem o exemplo de produção sustentável, coletivo e solidário. Feito que traz à tona o debate sobre a autonomia alimentar e a soberania alimentar a partir de sistemas agroalimentares que possibilitam a circularidade dos produtos. Com isso, o AMTR-MS está dando continuidade, ampliando o processo de implementação de espaços produtivos agroflorestais, de sua produção e distribuição.

“E aí a gente vai montar um processo agora de cooperativa com essas mulheres para poder começar os trabalhos produtivos já atendendo a cestas verdes, de uma população que a gente vai estar recebendo na cidade. Então, para além de conseguir a segurança alimentar dessas famílias, hoje as nossas famílias vão adotar outras famílias na cidade para poder entregar as cestas verdes a partir das sementes crioulas que a gente trouxe”, relata a coordenadora do projeto.

São caminhos de futuro do qual o projeto, junto a CESE, pacificou para implantar espaços produtivos agroflorestais e também encaminhar a sustentabilidade financeira das famílias.

“Então a gente montou uma listinha de quais são as sementes que deram bem, que a gente consegue produzir, fizemos um mapeamento, um levantamento das pessoas na cidade, sobre o que a gente consegue adaptar do currículo alimentar delas para a gente poder contribuir e nós estamos começando assim dentro da das comunidades a organizar essa parte agora”, finaliza Viviane.

A AMTR-MS para realizar as atividades do projeto contou com a contribuição coletiva inclusive de pequenos mercados e escolas, em que cada pessoa doou o que podia, o que mostrou a força e a capacidade de mobilizar recursos pela organização. O Dupla Participação (PDP) é uma modalidade de projetos da CESE que visa essa colaboração mútua. Assim, a organização solicita um apoio e ao mesmo tempo propõe um caminho para dobrar o mesmo valor a partir de estratégias próprias.

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