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MAB: Com o lema “A Vale destrói, o povo constrói”, população afetada por rompimentos de barragens pede justiça
23 de janeiro de 2020No dia 20 de janeiro, atingidos por barragens participaram de um ato em Belo Horizonte (MG) para dar largada à “Marcha dos Atingidos: 1 ano do crime da Vale em Brumadinho”.
A caravana, que durou seis dias, começou pelo município de Pompéu, no interior do estado, e chegou até a região metropolitana de BH, passando por Juatuba, Citrolândia, São Joaquim de Bicas e Betim. No sábado (25), data em que a tragédia completou um ano, aconteceram atos e atividades de homenagem às vítimas no Córrego do Feijão (comunidade onde houve o rompimento) e no centro da cidade de Brumadinho.
Cerca de 350 atingidos das bacias do Rio Doce e Paraopeba marcharam até a sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais para denunciar a omissão do TJMG em fazer justiça aos atingidos pelos crimes da mineração no estado.
“A equipe da Vale esteve na minha casa e comprovou que eu estou dentro da quilometragem atingida. Até hoje, eu não consegui ter nenhum comprovante de endereço, nem mesmo no posto de saúde, faz cinco anos que moro no Vale do Sol. Estou desempregada, não sei mais o que fazer com isso”, explica a atingida Maria Oricedina.
De acordo com Joceli Andreoli, da coordenação nacional do MAB, o movimento pede o reconhecimento da população afetada, contratação de Assessorias Técnicas independentes (que são equipes de profissionais que produzem informações qualificadas para os atingidos), reparação integral dos crimes e participação popular nas negociações.
Após protocolar um ofício com reinvindicações dos atingidos, o ato seguiu para a sede da Agência Nacional de Mineração (ANM), onde foi destacada a importância de mudança no modelo exploratório da mineração no país.
“Queremos denunciar o padrão de violação de direitos humanos nos grandes empreendimentos, morreram mais de 300 pessoas nos últimos quatro anos, entre Mariana e Brumadinho”, explica Soniamara Maranho, da coordenação do MAB.
Dentre os temas de denúncia do crime na bacia do rio Paraopeba, a marcha propôs debater: a questão das perdas econômicas nas cidades dependentes do rio; o surgimento de doenças (de pele e problemas gastrointestinais, além do aprofundamento da problemática com relação às doenças mentais); a poluição do rio com os rejeitos da lama tóxica; a continuidade das buscas dos 11 corpos das vítimas que ainda não foram encontradas.
#NãoFoiAcidente #SomosTodosAtingidxs!


Em Salvador (BA), a Igreja Batista Nazareth organizou uma celebração, em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), pela memória das vítimas e solidariedade aos familiares. “Cada ação ou omissão nossa permite que as coisas sejam feitas de um jeito ou de outro. Se você vê uma situação de injustiça e fica calado diante dela, está sendo conivente com aquilo. Será que Deus legitima a ganância e o desejo desenfreado de lucro de umas poucas pessoas? Ao contrário, nós conhecemos um Deus que se incomoda com a injustiça”, lembrou o pastor Joel Jeferino em sua mensagem aos participantes, convidando todos e todas a estarem atentos para aquilo que depõe contra a vontade de Deus “em nome do poder e da opressão”.

Fonte MAB – Fotos de : @jokamadruga @gui.weimann e Coletivo de Comunicação do MAB
Cobertura da Marcha em @Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!