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No Dia Mundial do Meio Ambiente, Le Monde Diplomatique Brasil e CESE lançam podcast especial “Território Vivo: o combate às mudanças climáticas no Cerrado”
04 de junho de 2023

O jornal Le Monde Diplomatique Brasil lança na próxima segunda-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, a série especial “Território Vivo: o combate às mudanças climáticas no Cerrado”, segunda parceria entre o podcast Guilhotina e a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE). O especial explora o enfrentamento às mudanças climáticas sob a perspectiva dos direitos territoriais dos povos e comunidades tradicionais do Cerrado.
Ouça no site do Le Monde Diplomatique Brasil
Serão quatro episódios quinzenais trazendo as experiências dos povos e comunidades tradicionais do Cerrado – com foco especial nas regiões do MATOPIBA – mostrando como os seus modos de vida, a sua sociobiodiversidade, a sua relação com os campos, as águas e as florestas são fundamentais para fazer o enfrentamento à crise climática, abordando também a importância de garantir a permanência dessas pessoas em seus territórios.
O primeiro episódio da série traz as experiências das mulheres quebradeiras de coco babaçu do Piauí, partindo do relato de Helena Gomes da Silva, coordenadora do Movimento Interestadual da Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), e das apanhadoras de flores sempre-vivas de Minas Gerais, com a fala de Maria de Fátima Alves, a Tatinha, da Comissão em Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas (Codecex).
As apanhadoras de flores são a primeira experiência no Brasil a receber o selo de reconhecimento de Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial (Sipam), concedido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A incidência política das quebradeiras garantiu a sanção da Lei do Babaçu Livre em dezembro de 2022, que reconhece como patrimônio cultural do estado do Piauí, as atividades tradicionais de coleta e quebra de coco babaçu, os produtos delas decorrentes e seu modo tradicional de produzir.
O episódio também conta com a participação de Fernanda Monteiro, que é agrônoma e geógrafa. Ela trabalha com temas de identidades, território, agroecologia, biodiversidade, campesinato e povos tradicionais. Há anos vem trabalhando junto às comunidades apanhadoras de flores e outros grupos no Cerrado.
A série estreia com uma discussão sobre os impactos positivos da produção agroecológica e dos sistemas produtivos dos povos e comunidades tradicionais no meio ambiente, destacando a importância das mulheres enquanto guardiãs da ancestralidade e guerreiras da resistência, versus modelo de desenvolvimento capitalista excludente e pautado pela lógica de exportação de commodities, exploração dos territórios e geração do lucro.
O especial Território Vivo pretende romper com o hábito da imprensa hegemônica de pautar os povos e comunidades tradicionais apenas em momentos de tragédias. A série também abordará os enfrentamentos diretos que essas comunidades fazem contra o agronegócio, o hidronegócio, a mineração, fazendeiros e outros grandes empreendimentos, mas a ideia principal é valorizar os seus modos de vida. Falar da denúncia a partir do anúncio.
Essas pessoas têm uma relação que é naturalmente de cuidado e respeito com o meio ambiente. Não existem fronteiras entre elas e os territórios. E por isso é fundamental garantir o seu direito de permanecerem onde sempre estiveram, nas terras e águas das quais sempre cuidaram.
A parceria entre CESE e Le Monde Diplomatique Brasil é mais uma ação prevista nas atividades comemorativas pelos 50 anos de fundação da CESE. Acompanhe a divulgação da série especial que irá mostrar que a possibilidade de futuro vem da Terra e é ancestral!
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!