Iniciativa estimula o empoderamento e engajamento político de mulheres negras
16 de julho de 2024
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Iniciativa estimula o empoderamento e engajamento político de mulheres negras
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VI Encontro Internacional de Mulheres Urbanas e Quilombolas (EIMUQ), em Salvador, 2022. Fonte: Associação Protetora dos Desvalidos
No mês em que celebramos a 12° edição do Julho das Pretas, uma agenda de ação coletiva idealizada pelo Odara, Instituto da Mulher Negra na Bahia, e que atualmente conta outras organizações de mulheres negras na sua construção, destacamos iniciativas fundamentais das mulheres negras no combate ao racismo e sexismo tão estruturantes na sociedade brasileira. Vale mencionar, que essa agenda faz menção ao 25 de Julho, Dia Internacional da Mulher Negra Afro Latina Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela.
Através de encontros formativos e uma agenda de incidência, uma iniciativa promoveu ações em algumas comunidades quilombolas do estado da Bahia, visando discutir e propor transformações sociais a partir da reflexão sobre empoderamento social e político na vida das mulheres negras urbanas e quilombolas. Com o intuito de promover compreensão e interpretação das vivências dessas mulheres negras, a ação reuniu um grupo feminino de diferentes idades e comunidades do estado da Bahia, organizada pelo Coletivo Rota dos Quilombos e Instituto Renascer, junto à Associação Protetora dos Desvalidos (SPD), a ação contou com o apoio da CESE através do Programa de Pequenos Projetos.
Por meio de reuniões menores, chamados de pré-encontros, onde as participantes puderam através de escuta ativa se preparem para o 6º Encontro Internacional de Mulheres Urbanas e Quilombolas (EIMUQ), realizado em Salvador em 2022, com a participação de aproximadamente 100 mulheres.
“Nos reunimos por meio de círculos, cirandas ou giras como chamamos, acreditamos que todas estas mulheres têm algo a compartilhar a partir de suas vivências. Foram momentos de escuta muito importantes para todas nós, permitindo a inclusão e o debate das experiências de cada uma, visando produzir reflexões e promover organização e participação ativa nas políticas locais, estaduais e nacionais”, comenta Lígia Margarida, do Instituto Renascer e Coletivo Rota dos Quilombos, uma das organizadoras do evento.
A ação teve desdobramentos cruciais para a articulação dessas mulheres e impulsionou a participação política de algumas mulheres quilombolas, candidaturas floresceram e o engajamento de mulheres negras nos partidos se intensificou, demonstrando a força mobilizadora da iniciativa. A busca por educação superior também atraiu jovens de comunidades quilombolas do interior para Salvador (BA), evidenciando a consciência política como ferramenta fundamental na conquista de direitos.
Lígia Margarida, mestra em Gestão Social, psicóloga, educadora e diretora do Instituto Renascer Mulher e da Associação Protetora dos Desvalidos (SPD)
Lindaura Tereza da Silva, agente comunitária e quilombola do município de Rio das Contas (BA), participou de uma das edições da EIMUQ. Para ela, o empoderamento político das mulheres negras representa um processo de reconhecimento, valorização e fortalecimento da identidade, autoestima e capacidade de ação. Como ela diz: “Em uma sociedade que historicamente nos marginalizou e subjugou, o empoderamento significa romper com as estruturas de opressão, reivindicar nosso lugar de fala e construir uma sociedade mais justa e inclusiva para todas.”
O Encontro Internacional de Mulheres Urbanas e Quilombolas (EIMUQ) continua sendo uma ação importante de articulação política entre diversas mulheres negras. Em 2024, o Coletivo Rota dos Quilombos e o Instituto Renascer se preparam para a sua 8ª edição, que ocorrerá no quilombo União dos Palmares, em Alagoas, entre os dias 18 e 21 de julho.
Julho das Pretas
Para a assessora de projetos de formação da CESE, Marcella Gomez, o Julho das Pretas é uma agenda fundamental para a defesa de direitos:
“A pauta deste mês é potente e traz essa natureza mobilizadora e de incidência a partir do diálogo sobre raça, gênero e classe, mas, sobretudo, valoriza e anuncia o legado das mulheres negras na construção de uma sociedade antirracista e mais igualitária. Sigamos apoiando e sendo parceiros dessas mulheres de luta, que ecoam em marcha o grito: ‘Mulheres Negras em Marcha por Reparação e Bem Viver’, como diz o lema desta 12ª edição”, destaca.
A CESE tem apoiado ações que atendam as demandas das mulheres negras, alcançando um total de 338 projetos, totalizando um investimento de R$3.465.120,40 e beneficiando aproximadamente 103.974 mil mulheres negras, espalhadas por diversos estados do Brasil. Desde a 1ª edição do Julho das Pretas, a organização apoiou 73 projetos específicos para esta agenda, totalizando 29.194 beneficiárias.
Nestas cinco décadas de atuação, a organização tem reafirmado o seu compromisso e fortalecido ações voltadas a este grupo em seus diversos contextos, territorialidades e pluralidades, comprometendo-se com a luta antirracista no país, em consonância com seu compromisso institucional de combate ao racismo e sexismo. Isso visa contribuir para a superação dessas estruturas desiguais e avançar na promoção da justiça para mulheres e meninas negras brasileiras.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.