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<a href="https://www.cese.org.br/enquanto-estivermos-vivas-nao-vao-tirar-nossa-fala-ii-encontro-de-mulheres-do-cerrado/"><strong>“Enquanto estivermos vivas, não vão tirar nossa fala”, II Encontro de Mulheres do Cerrado</strong></a>
14 de novembro de 2020

Com a força dos cantos e das vozes, as mulheres cerradeiras celebraram o II Encontro de Mulheres do Cerrado, realizado pela Articulação de Mulheres do Cerrado ,nos dias 11 e 12 de novembro de 2020, através de uma plataforma virtual devido à pandemia do novo Coronavírus.
Mais de 100 mulheres participaram do encontro, entre elas mulheres indígenas, quebradeiras de coco babaçu, retireiras do Araguaia, geraizeiras, sem terra, atingidas por barragens, camponesas, quilombolas, pequenas agricultoras, assentadas e assessoras de movimentos e organizações.
Com o tema “Mulheres do Cerrado construindo resistências”, participantes de diversos estados partilharam suas experiências de luta no enfrentamento às opressões que violam os corpos e territórios. Denunciaram os impactos do agronegócio, grandes empreendimentos, mineração e pautaram a defesa pela vida e pelos corpos das mulheres, que diariamente sofrem diversas violências e violações.
O encontro se dividiu em dois momentos. O primeiro com o tema “Capitalismo, patriarcado e machismo, racismo e etnocentrismo como estruturante da realidade social”, que debateu através da facilitação de Carmen Silva (SOS Corpo), sobre as diversas violências de gênero produzidas pelo sistema de dominação patriarcal e capitalista.

Já o segundo momento trouxe a temática do “Sistema Capitalista e Pandemias. O impacto na vida das mulheres e resistências”, que contou com a facilitação das companheiras Maria Kazé (MPA-PI), Fátima Barros (Quilombo São Vicente-TO) e Meire Diniz (CIMI-MA e Teia dos Povos-MA), partilhando sobre os protagonismos e resistências das mulheres do cerrado, fazendo conexões com a luta e espiritualidade.
Diante atual conjuntura, muitos desafios se apresentam. De um lado, a pandemia de COVID-19 tem distanciado os corpos que se nutrem através dos abraços e das partilhas presenciais. De outro, a pandemia atinge territórios tradicionais e indígenas em todo o país, agravando os diversos impactos já existentes, produzidos pelos ataques do atual governo, com o desmonte de políticas públicas e violações aos direitos das mulheres e dos territórios tradicionais. Foi nesse contexto que o encontro mostrou que, apesar disso, as mulheres cerradeiras seguem de pé e em luta!
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
‘Seguimos sendo uma igreja profética, que transforma palavras em ações e apoia aqueles povos que historicamente sofrem as consequências das desigualdades. Saio deste momento com muita gratidão. Parabéns à CESE por, em nome das igrejas, estar comprometida com a defesa dos direitos humanos, a justiça social e a luta dos povos e comunidades tradicionais em todo o território nacional. Continuem contando conosco.” – Pastor Mauro Batista de Souza (IECLB).
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
“Sou a presidente aqui da Comunidade Quilombola Menino Jesus e é um prazer, uma honra, receber o pessoal das igrejas que fazem parte da CESE. A gente sempre gosta de receber pessoas, tanto daqui de perto quanto de longe, e com vocês não foi diferente. Sempre procuramos dar o nosso melhor para acolher quem chega e para mostrar um pouco da nossa comunidade e da nossa luta. Falar do nosso quilombo é motivo de muito orgulho para nós. Temos orgulho de ser quilombolas, da nossa história e da nossa identidade”
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!