Encontro Nacional do Fórum Ecumênico ACT Brasil
18 de agosto de 2017
Entre os dias 14 e 17 de agosto, foi realizado, em Brasília, o Encontro Nacional do Fórum Ecumênico ACT Brasil. Realizado no Instituto Bíblico de Brasília, contou com uma pauta bastante rica, incluindo temas como: redes ecumênicas; incidências; articulação entre FEACT e Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito; Plataforma dos Movimentos Sociais e Reforma Política; Debate “Deus e o diabo na política – Compaixão e ação profética”; sustentabilidade do movimento ecumênico, etc.
A atividade reuniu organizações do movimento ecumênico brasileiro, igrejas e agências ecumênicas, entre elas, Aliança de Batistas do Brasil, Cebi, Cediter, Centro de Acolhida ao Imigrante, Centro de Direitos Humanos de Joinville, Cese, Ceseep, Christian Aid, Clai, CMI, Comin, CONIC, Diaconia, FLD, Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, HEKS, Koinonia, Pad, Reju, PROFEC, UNIPOP, Visão Mundial, além de representações da Comissão de Ecumenismo da CNBB, Igreja Metodista e Igreja Presbiteriana Unida.
Na avaliação de alguns participantes, o ponto alto do encontro foi, sem dúvidas, o seminário “Deus e o diabo na política – Compaixão como desafio profético”, que suscitou discussões acerca dos desafios colocados para o movimento ecumênico em tempos de intolerância. “Muitas vezes, a alienação religiosa torna-se alienação política, por isso, é necessário pensar e re-imaginar novas maneiras de testemunhar a fé”, declarou a secretária-geral do CONIC, Romi Bencke.
Outro momento importante foi a apresentação do historiador e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Joanildo Burity, que falou sobre os impactos das redes ecumênicas na sociedade. Burity chamou atenção para o fato de que “a presença ecumênica na sociedade é pouco estudada na academia brasileira”. Em sua análise, essa presença também “é pouco vista por causa da ação desinteressada do movimento, no sentido de não querer pleitear cargos políticos, mas de apenas marcar presença e atuação na sociedade a partir da identificação com o ecumenismo e a busca por justiça e paz”.
Planejamento
Ao longo desses dias, também foi realizado o planejamento da atuação do Fórum Ecumênico ACT Brasil para o próximo ano. O eixo orientador será “ecumenismo de direitos no contexto de crise na América Latina”. O ponto central do trabalho será o projeto “Migrantes e Refugiados – Desafios da Casa Comum”, que terá como objetivo a sensibilização de comunidades religiosas para a situação dos imigrantes e refugiados. Outra ação importante será a participação de representantes do FEACT no Fórum Alternativo Mundial da Água e no Fórum Social Mundial, ambos em março de 2018.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.