Encontro de Agentes reúne lideranças do Projeto Mulheres Negras e Populares
31 de julho de 2017O Encontro de Agentes de Projetos (EAP) reuniu em Salvador, entre os dias 20 e 22 de julho, representantes de organizações do Projeto Mulheres Negras e Populares: Traçando Caminhos e Construindo Direitos. A ação, que é uma realização da CESE e SOS Corpo com financiamento da União Europeia, convidou 33 organizações de mulheres do Norte e Nordeste do país que tiveram projetos apoiados durante os três anos da iniciativa (2015-2018).
O Encontro é parte do processo de Planejamento, Monitoramento e Avaliação do Programa de Pequenos Projetos – PPP, da CESE, no qual uma amostra de projetos apoiados dialoga sobre a efetividade no fortalecimento institucional dos grupos, assim como efeitos externos alcançados na promoção de mudanças sociais e econômicas das comunidades envolvidas pelos projetos.
Mulheres negras, indígenas, quilombolas, pescadoras, trabalhadoras domésticas, artivistas, camponesas e de articulações e movimentos feministas estiveram presentem em Salvador para discussão especialmente sobre dois pontos: o que aconteceu no contexto que impactou a vida e as lutas das mulheres negras e populares (pontos positivos e negativos nos âmbitos local, estadual, nacional) no último triênio; e o que houve de mais significativo na organização/ movimento/ redes das quais elas fazem parte.
Entre alguns resultados apontados pelas participantes, destacam-se: aumento do número de organizações e redes de mulheres negras, enegrescimento do 8 de março, fortalecimento de identidades racial, de pescadoras e de quilombolas; maior participação juvenil. “O Projeto chegou onde políticas públicas não chegam”, afirma Joelfa Bezerra, das Ayabás – Instituto da Mulher Negra do Piauí.
Durante as atividades, cada participante recebeu uma boneca Abayomi de Luciana Eugenio Rogério, representante da Associação das Mulheres em Ação (CE). “Abaomy significa encontro precioso”, explica a participante sobre o presente simbólico do momento de troca de aprendizagens do Encontro de Agentes de Projetos.
Jantar celebrativo
As participantes do evento ainda puderam entrar em contato com a realidade das baianas de acarajé durante visita guiada ao Memorial da Baiana de Acarajé. Situado no centro histórico de Salvador, o espaço é dedicado à tradição e história das mulheres que comercializam a comida típica da Bahia, com documentação e espaços expositivos (adereços, artesanatos e alguns instrumentos gastronômicos utilizados por elas). A noite contou com música ao vivo e jantar celebrativo, com cardápio preparado pelas próprias baianas (acarajé, caruru, vatapá e ensopado de peixe).
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
“Sou a presidente aqui da Comunidade Quilombola Menino Jesus e é um prazer, uma honra, receber o pessoal das igrejas que fazem parte da CESE. A gente sempre gosta de receber pessoas, tanto daqui de perto quanto de longe, e com vocês não foi diferente. Sempre procuramos dar o nosso melhor para acolher quem chega e para mostrar um pouco da nossa comunidade e da nossa luta. Falar do nosso quilombo é motivo de muito orgulho para nós. Temos orgulho de ser quilombolas, da nossa história e da nossa identidade”
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.