<a href="https://www.cese.org.br/e-momento-de-fazer-memoria-mas-nao-e-tempo-de-parar/"><strong>É momento de fazer memória, mas não é tempo de parar: a hora é agora!</strong></a>
10 de dezembro de 2020
No dia 10 de dezembro, o mundo volta o olhar para celebrar o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Uma data histórica instituída pela ONU no pós-guerra como resultado das muitas revoltas populares e lutas das organizações sociais por direitos para todos e todas.
As lutas sociais pelo direito à terra, à liberdade de ir e vir, de votar, dos direitos civis, políticos e sociais atravessaram séculos. E mesmo com a Declaração Universal afirmando e reconhecendo os direitos de todos e todas independentemente de sua classe social, etnia, gênero, nacionalidade e proclamando o respeito às diversidades e diferenças, a luta por direitos fundamentais ainda se faz tão presente e necessária, especialmente quando vemos no nosso país o Estado sendo o principal violador dos nossos direitos. São os movimentos organizados que continuam, como sempre fizeram, lutando por vida digna de pessoas em situação de rua; por equidade racial e de gênero; para defender águas, matas e florestas; pela demarcação de territórios dos povos indígenas, pesqueiros e quilombolas; pela soberania alimentar; para preservar nosso futuro, com a juventude negra viva; pela liberdade religiosa e convivência respeitosa entre confissões de fé e religiosidades.
Desde 1973, a CESE finca suas raízes e se renova, sintonizada com o fortalecimento de direitos de grupos populares, especialmente nesse momento de vulnerabilização dos mais empobrecidos com a pandemia do Covid-19.
Diante de tantos retrocessos e ameaças, o dia de hoje não é de celebração, mas de redobrar a atenção para não perdermos as conquistas que tivemos, demarcar bandeiras e não esquecer das violações profundas de direitos que estamos vivenciando nesse momento tão desafiador, de crescimento das intolerâncias, de discursos de ódio, assassinatos e criminalização de lideranças, vigilantismo e cerceamento de liberdade de expressão.
NÃO ESQUECEREMOS:
– que já tem mais de 1.000 dias que Marielle e Anderson foram mortos e ainda não temos a resposta: “quem mandou matar Marielle”?
– que o desmatamento e as queimadas no Brasil atingiram índice recorde nos últimos dois anos
– a flexibilização progressiva do uso de armas no país
-das mortes da menina Ágatha, de Miguel, as primas Emily e Rebeca, João Alberto: quantos mais jovens, crianças e negros/as serão mortos em decorrência do racismo estrutural?
– do aumento da violência contra mulheres e feminicídio nesse período de isolamento social
– o vergonhoso 1º lugar que o Brasil ocupa no ranking de país que mais mata transexuais e travestis
– a intolerância religiosa, expressa no registro de uma denúncia a 15 horas de violência principalmente contra adeptos/as de religiões de matriz africana, como candomblé e umbanda
– e não esqueçamos: já são quase 180 mil brasileiros e brasileiras morto/as em decorrência da Covid-19 e cerca de 6 milhões de contaminados/as. E a segunda onda está retomando o crescimento do índice de mortalidade e fragilização do Sistema Único de Saúde.
É MOMENTO DE FAZER MEMÓRIA, MAS NÃO É TEMPO DE PARAR. A HORA É AGORA! PRA FRENTE, MULHERES E HOMENS DO CAMPO, DA CIDADE, DAS ÁGUAS E DAS FLORESTAS!
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
“Sou a presidente aqui da Comunidade Quilombola Menino Jesus e é um prazer, uma honra, receber o pessoal das igrejas que fazem parte da CESE. A gente sempre gosta de receber pessoas, tanto daqui de perto quanto de longe, e com vocês não foi diferente. Sempre procuramos dar o nosso melhor para acolher quem chega e para mostrar um pouco da nossa comunidade e da nossa luta. Falar do nosso quilombo é motivo de muito orgulho para nós. Temos orgulho de ser quilombolas, da nossa história e da nossa identidade”
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.