Dia Nacional do Cerrado: organizações pedem apoio para proteger o bioma
11 de setembro de 2017
Hoje, 11 de setembro, é celebrado o Dia Nacional do Cerrado. Contudo, há poucos motivos para se comemorar: o bioma acumulou 1,9 milhão de hectares desmatados entre agosto de 2013 e julho de 2015, o equivalente a 1,7% da vegetação nativa remanescente. Apenas em 2015, uma área de 9.483 km² do Cerrado brasileiro foi devastada. Em um momento em que os olhos do mundo estão voltados para a Amazônia por conta de ações desastrosas do governo de Michel Temer, é urgente falamos sobre o Cerrado e a sua proteção.
Encabeçada por mais de 50 organizações e instituições do Brasil todo, a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado irá realizar um tuitaço no dia 11, às 15h, com a #EuDefendoCerrado para chamar a atenção da sociedade para a importância do Cerrado para o equilíbrio ambiental do Brasil, e também para a necessidade de se aprovar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 504.
A PEC 504 altera o § 4º do art. 225 da Constituição Federal para incluir o Cerrado e a Caatinga entre os biomas considerados Patrimônio Nacional. Atualmente, só os biomas da Amazônia, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal e a Zona Costeira são têm esse status. Em 2017, a PEC foi colocada em pauta 18 vezes na Câmara dos Deputados, porém não foi apreciada.
Artistas apoiam a defesa do Cerrado
A Campanha tem o apoio da atriz Dira Paes, e dos atores Irandhir Santos, Marcos Palmeiras e Eduardo Tornaghi. “Nos últimos tempos, ações devastadoras vêm atingindo o bioma do Cerrado, o povo e as comunidades do Cerrado, o maior berço aquífero deste país, o berço das águas”, disse Irandhir no vídeo divulgado em seu perfil e na página da Campanha.
A atriz Dira Paes ressaltou a importância de protegermos nossas águas e chamou a atenção para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 504/10. A Campanha está com um abaixo-assinado pela aprovação da PEC 504/2010 e já conta com mais de 30 mil assinaturas.
O Cerrado é considerado o Berço das Águas porque é a região que abriga os três maiores aquíferos que abastecem o Brasil e países vizinhos: Guarani, Bambuí e Urucuia. Por isso, a devastação do Cerrado está diretamente relacionada com as sucessivas crises hídricas enfrentadas pelo Brasil nos últimos anos.
Sobre a campanha
A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado – que tem como tema “Cerrado, Berço das Águas: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”, busca alertar a sociedade e denunciar a destruição do bioma Cerrado e as violências contra os povos e comunidades que vivem nesse território. A Campanha é promovida por mais de 50 organizações no Brasil todo.
Fonte: https://semcerrado.org.br/campanha/dia-nacional-do-cerrado-organizacoes-pedem-apoio-para-proteger-o-bioma/
Informações para imprensa
Bianca Pyl e Emmanuel Ponte
imprensa@semcerrado.org.br
(11) 95485-5545
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.