Dia Internacional da Mulher: o que você precisa saber
19 de fevereiro de 2018
Nesta sexta-feira, 8 de março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher.
A data faz referência a um trágico acontecimento, em 1857, nos Estados Unidos, em que operárias de uma indústria têxtil foram queimadas vivas por protestarem por melhores salários, condições de trabalho, redução da jornada de trabalho de 16h para 10 horas/dia e tratamento igualitário em relação aos homens. Naquele ano – e não é muito diferente ainda hoje em dia –, as operárias recebiam um terço do salário dos homens para executarem as mesmas atividades.
Como forma de reivindicar essa e outras lutas históricas por igualdade, entre as quais, o direito de poder sair na rua sozinha, o sufrágio universal, creches, direito de estudar, entre outros, é que foi instituído um Dia Internacional da Mulher. Mas até chegar a essa data, muitas outras manifestações foram necessárias e, infelizmente, milhares de outras mulheres morreram.
Apesar de sabermos que o Dia Internacional da Mulher existe porque historicamente as mulheres são marginalizadas e invisibilizadas, e seus direitos violados, existem aqueles que questionam: mas por qual razão não temos o dia internacional do homem?Parece piada, mas é sério! E embora tais questionamentos tenham propósitos aparentemente despretensiosos, no fundo eles visam: 1) deslegitimar a luta das mulheres que são oprimidas por serem mulheres e 2) reescrever a história secular/milenar de opressão das mulheres, numa tentativa de ressignificar todas as situações em que o sexo feminino foi subjugado nas sociedades humanas.
Para esse ponto, encontramos aqui uma reflexão interessante:
“Que poder as mulheres têm para oprimir os homens no ponto de vista hierárquico? Que base histórica e social existe para essa opressão? A mulher é oprimida e não opressora. Em nenhum contexto isso se altera.
Mulheres morrem por serem mulheres, homem não morrem por serem homens. Homens matam mulheres por serem mulheres. […]
Ao entendermos tudo isso, fica fácil saber o porquê da não existência de um dia internacional do homem. Seria o mesmo de existir um dia da consciência branca ou uma parada hétero/dia do orgulho hétero.
Homens […] já são privilegiados e já estão no topo da hierarquia. Não precisam de mais visibilidade, porque sua superioridade social garante exclusiva atenção. Já as mulheres, oprimidas, têm direito a pelo menos um dia para promoção da visibilidade de sua luta.”
Enquanto igrejas cristãs, é nosso dever mostrar que Deus não se agrada da injustiça:
+ Ele “não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34)
+ Criou homem e mulher em pé de igualdade (Gênesis 1:31)
+ Em Cristo não há distinções de sexo que legitime a opressão (Gálatas 3:28)
Atividades
As mulheres do Movimento Espiritualidade em Ação, do qual o CONIC faz parte, organizam, para o dia 13 de março, duas atividades em alusão ao Dia Internacional da Mulher.
A primeira será uma Roda de Conversa que vai abordar o tema: “Vozes de Mulheres sobre o Sagrado”. A ação será na Fundação Cultural Palmares, em Brasília.

A segunda atividade será uma Caminhada Inter-Religiosa “Em Memória Delas – Pela Vida de Todas”, que fará alusão às muitas mulheres vítimas de violência e feminicídio. A concentração também será na Fundação Palmares, conforme convite abaixo.

(Fonte: Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC)
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.