DEMOCRACIA SEMPRE!
31 de março de 2019| Democracia Sempre! |
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| ‘Ai dos que decretam leis injustas e dos escrivães que escrevem perversidades, para prejudicarem os pobres em juízo, e para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo, e para despojarem as viúvas, e para roubarem os órfãos!’(Isaías 10,1-2) |
| Em 2014, nas atividades que relembravam os 50 anos do golpe militar, dizíamos sem tanta convicção, que estávamos vivendo o período mais longo de nossa frágil democracia – algo a comemorar e aprofundar. Falávamos de ‘entulhos autoritários’ – como a cultura violenta de nossas polícias ou a sobrevivência da justiça militar – como sendo restos insepultos, renitentes, mas que com o tempo, camadas de novas conquistas sociais e participação popular fatalmente iriam aplainar o horizonte, dando margem para uma sociedade mais justa e igualitária.A Constituinte de 88 foi uma miragem. Passando a limpo os remendos e injustiças históricas da nação, parecia o amálgama para a consolidação democrática, até porque reconhecia novos sujeitos e identidades coletivas que estavam invisíveis e fora do sistema de justiça.Contudo, a permanência dos elementos estruturantes do racismo, do sexismo e enormes diferenças de classe e de concentração de renda, mostraram o quanto a sociedade brasileira só aparentemente convivia ‘cordialmente’. Vivemos uma situação de apartheid social, exploração predatória de nossas riquezas, populações tradicionais e da juventude negra sendo dizimadas. No plano político, a sociedade sofre um estado de exceção desde o impeachment, passando pela insustentável prisão política de Lula e pelo processo midiático eleitoral imbricado ao fundamentalismo religioso, culminando com a progressiva militarização do poder e, na onda neoliberal, à subserviência ao império do Norte. Desfaçatez tamanha fez Bolsonaro determinar que os militares comemorem o golpe militar no dia 31 de março.Em nota pública, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão-PFDC, juntamente como Ministério Público Federal – MPF lembram que “É incompatível com o Estado Democrático de Direito festejar um golpe de Estado e um regime que adotou políticas de violações sistemáticas aos direitos humanos e cometeu crimes internacionais”.A mesa está posta, assim como nossos corpos.Mas nesses 55 anos que nos separam do golpe, a CESE – organização ecumênica inspirada nos princípios da fé cristã, reafirma o seu compromisso com a radicalidade democrática e se alinha com quem exige a “democratização da democracia” para se alcançar um projeto de nação onde todos e todas estejam verdadeiramente contemplados/as. Resistir e esparançar são palavras que nos sustentam em tempos sombrios. Ditadura nunca mais! Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça! |
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
