Declaração da Agência de Comunicação da América Latina e Caribe
01 de outubro de 2018
A Assembleia da Agência de Comunicação da América Latina e do Caribe (ALC) se reuniu na cidade de São Paulo, de 28 a 30 de setembro, com representantes das organizações que a compõem na América Latina e no Caribe. Acreditamos que a comunicação é um direito inalienável de todas e todos para a construção de pontes, incentivo ao respeito entre as pessoas e geração de inclusão e participação, reforçando os processos democráticos, de forma ética, respeitando as diversidades.
Na América Latina e no Caribe, grandes grupos econômicos geram desigualdades sociais. Isso constitui um sério problema estrutural, em que a exploração dos bens comuns, com o objetivo de obter lucro, coloca em risco a vida da criação.
Neste contexto religioso, econômico e político, amplamente apoiado pela mídia hegemônica, os fundamentalismos são instrumentos que consolidam posições intransigentes que impedem o diálogo e todos os processos de desenvolvimento pessoal e comunitário.
Muitos meios de comunicação religiosos, baseados em um discurso aparentemente piedoso, mas manipulador de textos bíblicos, fortalecem uma cultura que fomenta o medo e provocam a criminalização das demandas sociais, gerando violência contra as mulheres, povos indígenas, religiões de matriz africanas, defensores e defensoras de direitos, populações tradicionais e LGTBs.
A Agência de Comunicação da América Latina e do Caribe entende que é fundamental promover uma disputa de narrativas que contribua para fortalecer espiritualidades libertadoras, considerando a pluralidade e a diversidade, fomentando o diálogo e a participação democrática de todos os setores.
Para isso, buscamos:
- Fortalecer as redes de grupos ecumênicos e inter-religiosos.
- Desenvolver estratégias para visibilizar a diversidade religiosa e as espiritualidades entre comunicadores e comunicadores.
- Promover espaços de comunicação que disputem a hegemonia comunicacional da mídia, a partir de uma prática democrática, respeitosa, diversa e participativa.
A Assembleia Geral da Agência de Comunicação da América Latina e do Caribe termina uma semana antes das eleições gerais no Brasil em um cenário tenso e complicado.
Enfatizamos como os meios de comunicação hegemônicos desempenharam um papel tendencioso e antidemocrático. Comprometemos nossas ações e orações para que o Brasil recupere o sentido do caminho democrático já alcançado, décadas atrás, com tantos esforços e vidas.
“Não se contente com este tempo, mas transforme-se renovando suas mentes para que você
possa ver qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que é agradável, o que é perfeito.”
Romanos 12.2
São Paulo, 30 de setembro de 2018
AIPRAL – Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina
CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço
CLAI – Conselho Latinoamericano de Igrejas
CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
CREAS – Centro Regional Ecumênico de Assessoria e Serviços
Fundación Helmut Frenz
FLD – Fundação Luterana de Diaconia
FUMEC – Federação Universal do Movimento Estudantil Cristã da América Latina
WACC-AL – Associação Mundial para a Comunicação Cristã – América Latina e Caribe
Fonte: CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
“Sou a presidente aqui da Comunidade Quilombola Menino Jesus e é um prazer, uma honra, receber o pessoal das igrejas que fazem parte da CESE. A gente sempre gosta de receber pessoas, tanto daqui de perto quanto de longe, e com vocês não foi diferente. Sempre procuramos dar o nosso melhor para acolher quem chega e para mostrar um pouco da nossa comunidade e da nossa luta. Falar do nosso quilombo é motivo de muito orgulho para nós. Temos orgulho de ser quilombolas, da nossa história e da nossa identidade”
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.