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Com apoio da CESE, Associação Cultural Casulo promove intercâmbio cultural entre povos Guarani Kaiowá e população de Dourados-MS
05 de junho de 2022

Promover um grande intercâmbio cultural entre os povos Guarani Kaiowá que vivem no entorno de Dourados, no Mato Grosso do Sul, e sua população geral da cidade. Foi este o principal objetivo do projeto Palavras que Curam – Arte da Resistência Guarani Kaiowá, que vem sendo executado na cidade pela Associação Cultural Casulo desde abril. A iniciativa recebeu apoio do Programa de Pequenos Projetos da CESE.

Sua programação incluiu a Pupa Filosófica, espaço de debates que contou com a participação de uma psicóloga, uma enfermeira Guarani Kaiowá e a mestre indígena Teresinha Aquino discutindo em torno do tema “Casas de rezas queimadas e violência contra as guardiãs dos saberes tradicionais”. A comunidade de Teresinha teve sua Casa de Reza queimada em dezembro de 2021, em um ato fundamentalista odioso.
Com apoio da Casulo, a comunidade reconstruiu seu templo. Como forma de agradecimento, a Associação foi convidada para a reinauguração da Casa. Esse momento marcou a realização de mais uma parte da programação do projeto Palavras que Curam, o Festival de Música Indígena, com participação de cinco grupos indígenas de cinco aldeias diferentes.



Ainda dentro do projeto, artistas locais realizaram a Exposição da Vida Kaiowá, que apresentou trabalhos criados a partir do intercâmbio entre artistas indígenas e não indígenas da cidade. No lançamento da Exposição, houve também a exibição de filmes, pequenos documentários produzidos por indígenas em parceria com grupos acadêmicos, além do lançamento de livro um bilingue, traduzido do Guarani para o português.
Artistas também ilustraram o dicionário da língua Guarani Kaiowá que vem sendo produzido por Graciela Chamorro, presidenta da Casulo, em parceria com docentes indígenas e outros estudiosos. Outro momento marcante foi o encontro entre um grupo sul-mato-grossense de dança urbana e as comunidades indígenas de Amambai-MS, que trocaram experiências musicais de canto e dança, entre outros.

“A arte, como várias expressões culturais, entre elas a religião, tem a ver com achar o sentido para a vida. Para nós, a cultura e a arte têm a ver com resistência, sobrevivência, algo essencial. Para nós como entidade, é muito importante se aproximar do modo de viver, de ser, desses povos. Tanto para aprender com eles essa arte, como para apoiar nas suas iniciativas de resistência”, afirma Graciela.
Apoio da CESE
A Associação Cultural Casulo já é parceira da CESE. Em 2020, o grupo realizou o projeto Caminho das Águas, com objetivo de levar água potável para áreas de retomada indígena. A princípio, o projeto foi pensado para alcançar 500 pessoas, mas depois do apoio recebido através do Programa de Pequenos Projetos, mais de 2500 foram beneficiadas. Foi a primeira vez que a Associação recebeu um apoio desse tipo.
“O Casulo nunca contou com apoio de entidade nenhuma. Até 2020, a gente trabalhava sempre com recursos próprios dos associados e amigos do casulo e de editais eventualmente. Agora novamente, a gente conseguiu ampliar as ações pra poder viabilizar algumas despesas que a gente n tinha recurso – ajudar alguns indígenas a custear habitação, trazer outros de aldeias mais distantes, possibilitando esse intercambio, essas trocas. Então foi de suma importância pra realização e ampliação do projeto. Pra nós, está sendo interessante encontrar essas instituições que dialogam com nossos ideais, que pensam como a gente e tem intenção de fortalecer”, afirma Júlia Aissa Vasconcelos Oliveira, gestora e produtora da Associação.

VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.