CESE recebe povos indígenas e organizações indigenistas
29 de setembro de 2018


Durante as últimas semanas de setembro, a CESE recebeu na sua sede representantes de povos indígenas, com o objetivo de iniciar mais um processo de vivência para melhorar a compreensão sobre esses povos, conhecer o histórico de violações de direitos e identificar desafios para essas populações, em torno da futura parceria entre CESE e COIAB.
A CESE escutou os relatos de Ariabo Quezo, povo Balotiponé, do território Umutina, Barra do Bugres (MT); Ângela Amanakwa Kaxuyana, pertencente ao povo Kahyana – Kaxuyana (PA); Idjawala Rosa Karajá, povo Karajá da Ilha do Bananal (TO); e Modesta da Silva Carvalho, do povo Tukano do Alto Rio Negro (AM), durante a terceira reunião anual da Diretoria Institucional. Os/as convidados/as compartilharam suas experiências, suas lutas e a história dos seus povos.
Ariabo apresentou como o território para os povos indígenas tem um significado muito maior do que um simples espaço geográfico. Para ele, tem relação com sua própria identidade, tradição e cultura. “Para nós, território é vida. Lutamos pela vida”. E Ângela Kaxuyana trouxe dados sobre a diversidade da cultura indígena – “270 línguas indígenas são faladas no país” – e abordou sobre os processos de pressão e opressão sofridos pelos povos indígenas, que vão desde o período da colonização e ditadura militar até os tempos atuais de retrocessos de direitos.
Para dar continuidade à discussão, CESE e COIAB convidaram organizações parceiras, entidades da sociedade civil e agências que apoiam iniciativas e movimentos indígenas na Amazônia Brasileira, para também compartilhar suas experiências sobre trabalho com essas populações tradicionais e luta dos povos. Durante dois dias, os/as participantes desse Encontro de Parceiros afinaram processos, articularam apoios e identificaram desafios para auxiliar na execução do projeto CESE-COIAB de apoio a iniciativas indígenas de gestão territorial e ambiental na Amazônia e na proposta da COIAB de gerenciar um fundo indígena próprio.
Estiveram presentes no encontro: APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil; IEPÉ – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena; CTI – Centro de Trabalho Indigenista; ISA – Instituto Socioambiental; IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil; ISPN – Instituto Sociedade, População e Natureza; CIMI – NORTE I – Conselho Indigenista Missionário; COMIN – Conselho de Missão entre povos Indígenas; FASE/ FUNDO DEMA – Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional; CPI-AC – Comissão Pró-Índio do Acre, além de representantes da Fundação Ford, Embaixada da Noruega e TNC.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
“Sou a presidente aqui da Comunidade Quilombola Menino Jesus e é um prazer, uma honra, receber o pessoal das igrejas que fazem parte da CESE. A gente sempre gosta de receber pessoas, tanto daqui de perto quanto de longe, e com vocês não foi diferente. Sempre procuramos dar o nosso melhor para acolher quem chega e para mostrar um pouco da nossa comunidade e da nossa luta. Falar do nosso quilombo é motivo de muito orgulho para nós. Temos orgulho de ser quilombolas, da nossa história e da nossa identidade”
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
‘Seguimos sendo uma igreja profética, que transforma palavras em ações e apoia aqueles povos que historicamente sofrem as consequências das desigualdades. Saio deste momento com muita gratidão. Parabéns à CESE por, em nome das igrejas, estar comprometida com a defesa dos direitos humanos, a justiça social e a luta dos povos e comunidades tradicionais em todo o território nacional. Continuem contando conosco.” – Pastor Mauro Batista de Souza (IECLB).
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.