CESE apoia iniciativa que fortalece produção de mulheres quilombolas no Maranhão
17 de agosto de 2021
Coletivo Mulheres Guardiãs de Sementes fortalece rede de apoio e comercialização de produtos de mulheres quilombolas
Mulheres negras e quilombolas contam com apoio para comercializar azeite de coco babaçu e seus derivados, vencendo os desafios socioeconômicos gerados pela pandemia. É o que propõe o Coletivo Mulheres Guardiãs de Sementes, que promove a articulaçao de redes de apoio, propagação dos saberes ancestrais e práticas agroecológicas no Maranhão. A iniciativa foi contemplada no Programa Pequenos Projetos da Coordenadoria Ecumênica de Serviço em 2021.
O projeto visa proporcionar melhores condições estruturais para a produção coletiva e comercialização do azeite de coco babaçu. A renda gerada pelas vendas contribuirá para mitigação das dificuldades potencializadas pela pandemia da Covid-19, além do aprimoramento da produção. O Coletivo Guardiãs de Sementes quer ampliar a participação de mulheres dos territórios, bem como constituir uma rede de apoio que auxilie no enfrentamento às violências, em articulação com movimentos e entidades.
De acordo com Rosilene Cruz, coordenadora do projeto, o contexto das mulheres quilombolas é de uma longa trajetória de superação de obstáculos. “É uma história de luta, resistência, organização, rompimento de barreiras em busca de alternativas e em defesa de um território livre para nosso bem viver” declara a liderança, que vem realizando reuniões para organizar e qualificar a produção, bem como encontros formativos temáticos.
As atividades formativas tratam de temas como Enfrentamento as violências doméstica durante a pandemia; Resgate e partilhar dos saberes e práticas ancestrais; Desafios para equidade racial, além de aprender mais sobre o aproveitamento integral do Babaçu e uso de defensivos naturais e oficinas sobre Medicina Natural e Ginecologia Natural. As atividades formativas tiveram início em maio deste ano e serão concluídas em agosto.
As mulheres participantes vêm das Comunidades de Pontes, Sítio Raízes e Bica, todas territórios quilombolas no Maranhão. São 15 mulheres em processo de formação, bem como articulação para organização e fortalecimento do coletivo, através das rodas de conversa, trabalhos em grupo, além das oficinas. Para Rosilene Cruz, as mulheres beneficiadas pelo projeto enxergam nele um espaço de “autonomia, empoderamento, independência, qualidade de vida e a conquista de direitos”.


Mulheres Guardiãs de Sementes – O projeto em andamento é a primeira ação do Coletivo apoiada pela CESE, que contribuiu nas condições para viabilizar os processos formativos, bem como aprimoramento da produção e comercialização dos produtos. “O apoio da CESE foi um incentivo para que mais mulheres se juntem a nós para fortalecer mais ainda nossa luta. Também nos dá a possibilidade de conhecer outras alternativas e conhecer outros territórios e suas experiências – que chamamos de troca de saberes” revelou a coordenadora da iniciativa.
Criado em 2017, o Coletivo “Mulheres Guardiãs de Sementes” nasceu dentro do intercâmbio denominado “Intercâmbio das Sementes da Paixão”, que na oportunidade, uniu mulheres de três comunidades quilombolas do Maranhão. Desde então, o grupo desenvolve atividades voltadas para a salvaguarda das sementes do território, organização de oficinas de confecção de bonecas Abayomi, bem como trabalhos voltados com a extração do coco babaçu e seus derivados. O proejto em andamento contribuirá para a estruturação da unidade de apoio onde funciona o Coletivo Guardiãs de Sementes.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.