Ato político em Memória ao Massacre de Pau d’Arco marcará um ano da chacina
23 de maio de 2018

O crime de Estado que chocou o país e resultou na chacina de 10 camponeses do Sul do Pará completará um ano no dia 24 de maio.
Exigindo justiça e prestando justa homenagem aos bravos camponeses tombados na luta, familiares dos camponeses assassinados juntamente com organizações camponesas e apoiadoras da luta pela terra promoverão uma série de eventos e atos políticos nos dias 24, 25 e 27/05.
Além dos familiares, tomarão parte na organização do evento: a associação da ocupação Jane Júlia, a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Dicocese de Conceição do Araguaia.
O ato contará com o apoio da CESE, Terra de Direitos, Comitê Brasileiro de Defensores/as dos Direitos Humanos, Justiça Global, SPDDH, FETAGRI- sul, CAFOD e MHud.
Programação:
– 24/05, quinta feira, Redenção e Pau D’Arco:
- 07:00 – Visita e Oração Ecumênica no Cemitério Parque da Paz de Redenção;
- 15:00 – Visita e Oração Ecumênica no Cemitério de Pau D’Arco;
- 19:30 – Missa na Igreja Nossa Senhora das Graças, Entroncamento – Redenção
– 26/05, sábado, Clube do Sindicato dos Trabalhadores/as no Comércio -SINTRACOMRRE – Redenção:
- 15:00 – Debate público sobre “Violência no campo e os desdobramentos do Massacre de Pau D’arco”;
Lançamentos: Vídeo documentário sobre o Massacre de Pau D’Arco e do livro de Frei Henri, “Apaixonado por Justiça”.
– 27/05, domingo, Acampamento “Jane Júlia”, área da Fazenda Santa Lúcia, Pau D’arco:
- 09:00 – Caminhada, fazendo o percurso feito pelas vítimas, do Acampamento, até o local onde foram assassinadas;
- 11:00 – Ato Ecumênico e Ato Político pela Reforma Agrária e pelo fim da violência no campo;
- 12:30 – Almoço comunitário.
Massacre de Pau D’arco, Nunca mais! Justiça já!
Organização: Familiares das vítimas, Associação da Ocupação “Jane Júlia”, Comissão Pastoral da Terra, Liga dos Camponeses Pobres e Diocese de Conceição do Araguaia.
Apoio: Justiça Global, Terra de Direitos, SPDDH, Comitê Brasileiro de Defensores/as de Direitos Humanos, MHuD, FETAGRI – Sul, CESE, CAFOD
Informações complementares:
- O Acampamento Jane Júlia – Fazenda Santa Lúcia, está localizado a 27 km da cidade de Pau D’arco. Saindo do asfalto, a partir da entrada nas vicinais, as mesmas serão sinalizadas, em direção ao Acampamento.
- Endereço Clube do SINTRACOMRRE: Rua Tocantins, s/n, setor São José– Redenção, próximo do Clube da PM, saída do Rio Pau D’Arquinho.
Solicitamos: 1- A contribuição de cada participante da caminhada, para que traga garrafas com água para beber. 2- Aos acampados/as e lavradores/as da vizinhança, para que tragam pratos e colheres para o almoço.
– Informações, confirmações: CPT: rosejaneiro@gmail.com (094 99159 – 1819) – cptxgapa@terra.com.br (094 99132 – 0087/ 99293 – 3918) – geuza_morgado@yahoo.com.br (94 99136 – 1143)
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
“Sou a presidente aqui da Comunidade Quilombola Menino Jesus e é um prazer, uma honra, receber o pessoal das igrejas que fazem parte da CESE. A gente sempre gosta de receber pessoas, tanto daqui de perto quanto de longe, e com vocês não foi diferente. Sempre procuramos dar o nosso melhor para acolher quem chega e para mostrar um pouco da nossa comunidade e da nossa luta. Falar do nosso quilombo é motivo de muito orgulho para nós. Temos orgulho de ser quilombolas, da nossa história e da nossa identidade”
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!