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Ato dos/as Mártires: a dimensão coletiva do martírio como pauta essencial de resistência dos povos originários
11 de julho de 2022
Momento marcante no X Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA) será o Ato dos Mártires, que se propõe a abordar o martírio, não como memória resignada, e sim como elemento permanente de resistência e de inspiração nas lutas de hoje.
“Quando se fala em mártires as referências, em geral, são homens e mulheres que deram a vida pela Amazônia. Mas não são necessariamente pessoas que foram mortas na Amazônia. São também as que souberam entregar a vida até o fim pela Amazônia. São indivíduos, comunidades, territórios e natureza martirizados junto com os seus direitos É importante recuperar a dimensão coletiva do martírio”, afirma Dario Bossi, da Rede Eclesial Pan- Amazônica REPAM/Brasil, um dos organizadores do ato.
Programado para a tarde do dia 29 de julho, com a memória viva dos bárbaros assassinatos do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, várias serão as linguagens. Entre elas o resgate da mística e a espiritualidade que está na base das resistências dos povos e das pessoas da Amazônia. Dizer alto e em bom som que BASTA! Celebrar a vida e a firmeza destas comunidades frente às ameaças, à criminalização e à matança de seus líderes. Apreender dos testemunhos que, de fato, ensinam o que significa dar a vida pela Amazônia, defende Dario.
Com a previsão de acontecer em duas horas, o ato vai trazer a memória das vítimas da Covid, a voz de outros países, os depoimentos das viúvas, que destacam a violência redobrada contra as mulheres na Amazônia, e o resgate da força da ancestralidade, do vínculo com a natureza, da inspiração divina e da memória e legado das pessoas martirizadas.
Não menos emocionante é a programação de cantos, danças, tambores e breve marcha até o rio Guamá e o Tapiri da Amazônia com bênção inter-religiosa ao final.
A promoção é do grupo Articulação Ecumênica e Inter-religiosa, promotor do Tapiri Ecumênico e Inter-Religioso, do qual fazem parte: Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT), Processo de Articulação e Diálogo(PAD), Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Comitê Inter-religioso do Estado do Pará, Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (CENARAB), Comitê Dorothy, Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs (CAIC), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Igreja de Confissão Luterana/Belém, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil/Belém, Koinonia Presença Ecumênica, Rede Eclesial Pan- Amazônica(REPAM), Rede Igreja e Mineração e Rede Amazonizar.
São quatro os grandes encontros coletivos no X FOSPA, além do Ato dos Mártires. São eles: o Tribunal Popular dos Direitos da Natureza, o Tribunal Internacional dos Crimes de Guerra e a Frente Parlamentar Mundial em Defesa dos Direitos da Natureza.
Texto : Tania Coelho para o X FOSPA publicado em 07 de julho
VEJA O
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A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.