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Articulação AGRO é FOGO lança dossiê sobre grilagem, desmatamento e incêndios na Amazônia, Cerrado e Pantanal
13 de abril de 2021
A Articulação AGRO é FOGO, da qual a CESE faz parte, reúne cerca de 30 movimentos, organizações e pastorais sociais que atuam há décadas na defesa da Amazônia, Cerrado e Pantanal e seus povos e comunidades. Surgiu enquanto articulação como reação aos incêndios florestais que assolaram o Brasil nos últimos dois anos. O que move a Articulação é não somente a necessidade de qualificar o debate público, mas, sobretudo, ir além das imagens de satélite e números de desmatamento, trazendo a dimensão do que é vivido no chão da floresta e dos sertões.
No dia 14 de abril a articulação lançou o Dossiê Agro é Fogo: grilagem, desmatamento e incêndios na Amazônia, Cerrado e Pantanal. O material está disponível no portal: https://agroefogo.org.br/
A plataforma agrega análises e denúncias sobre as múltiplas dimensões da devastação ambiental e dos conflitos por terra que se dão no rastro do uso criminoso do fogo pela cadeia do agronegócio, evidenciando a relação intrínseca entre a questão ambiental, agrária e fundiária no Brasil.
As análises apresentadas neste Dossiê abordam as seguintes temáticas:

A boiada está passando: desmatar para grilar; O agronegócio e o Estado brasileiro: quem lucra quando a boiada passa?; Presidência e parlamento a serviço dos grileiros: legislar para grilar; Ligações perigosas: fundos de pensão internacionais, incêndios e grilagens no Matopiba; Trabalho escravo, expropriação e degradação ambiental: uma conexão visceral; Saberes que vêm de longe: Usos tradicionais do fogo no Cerrado e Amazônia.
Além desses artigos, a plataforma apresenta também seis casos de conflitos territoriais:
A luta da comunidade quilombola Barra da Aroeira na defesa de seu território; Fogo ameaça povo indígena isolado na Ilha do Bananal; Gleba Tauá: luta pela terra no Cerrado tocantinense; Território Guató em chamas: “As árvores não têm pra onde correr!”; Território Kadiwéu e as queimadas; Tragédia anunciada na BR-319.
Segundo Valeria Santos, da Comissão Pastoral da Terra, o que há de novo no dossiê são todas as conexões e análises que desmarcaram esse conceito do Agro Pop, Agro Tech que é ressaltado pelos veículos de comunicação: ‘‘ O que o coletivo propõe a partir dessa plataforma é abrir um diálogo com a sociedade, a partir de um espaço virtual e permanente, onde os povos tradicionais atingidos por tantas violações possam fazer suas denúncias. A sociedade civil precisa compreender melhor esse contexto e o que está posto. Quem está lucrando com essa ”boiada” passando? O que o estado brasileiro tem feito para financiar e apoiar o avanço do agronegócio no campo, nos territórios indígenas e quilombolas?”.
A CESE, com o apoio de HEKS-EPER, contribuiu com a produção do dossiê através do projeto ” Em defesa dos Territórios dos Povos do Pantanal, Cerrado e Amazônia – Agro é Fogo ” , com objetivo de fortalecer o campo popular na disputa de narrativas em torno da questão das queimadas e desmatamento, dando centralidade aos povos indígenas e comunidades tradicionais, seus direitos territoriais e modos de vida.
Na data do lançamento, aconteceu uma roda de diálogo sobre a produção do dossiê. A live contou com a participação de Valéria Santos, integrante da CPT, Antônio Apinajé, liderança indígena do Povo Apinajé, e Maurício Torres, professor do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (Ineaf). Todas essas pessoas contribuíram com a produção do Dossiê. A mediação do bate papo foi realizada por Ana Paula Sabino. Confira aqui:
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
