A saúde mental de jovens no 3º município mais indígena do Brasil
30 de maio de 2024
São Gabriel da Cachoeira (AM) é um dos municípios mais indígenas do Brasil, com os povos originários representando 93,2% de toda população. Apesar dos números, a educação vem sendo um desafio preocupante no que diz respeito aos jovens da cidade, chegando a consequências extremas.
Suas línguas, alimentação e outros aspectos culturais específicos são alvos de discriminação e estereotipação em ambientes educacionais – tanto em escolas, quanto universidades; tanto por parte de professores, quanto de alunos não indígenas. Essas barreiras vêm fazendo com que jovens desistam de suas graduações – dentro e fora do Amazonas – e até mesmo cometam suicídio.
Um levantamento feito pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) junto ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), ferramenta do Sistema Único de Saúde (SUS), com números de 2020, revela números alarmantes: de 475 suicídios observados e que foram cometidos por indígenas, 289 foram de jovens com idade entre 15 e 29 anos.
Segundo Maria do Socorro, coordenadora Executiva da Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas – MAKIRA ETA, a discriminação não é o único fator que afeta a saúde mental desses jovens.

“A vulnerabilidade social dos alunos indígenas é grande. Primeiro quando saem da sua comunidade e vão para cidade, nas capitais eles não tem apoio financeiro e alguns não conseguem bolsa de estudo que subsidiem sua permanência na faculdade. O apoio que tem é dos pais que tem benefício social do governo ou da aposentadoria dos avós”, explica.
E complementa. “Isso é uma realidade até para os alunos do ensino médio. Para concluírem os estudos, esses jovens têm que se deslocar da comunidade, tendo gasto de combustível para os seus pais lhes deixarem na sede do município para estudar.”
Diante desse contexto, a Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas – MAKIRA ETA irá realizar formações em letramento racial com estes jovens. A iniciativa recebe apoio da CESE através do Programa de Pequenos Projetos. A ação tem como objetivo fomentar o fortalecimento sobre a educação escolar indígena diferenciada, pautada com a valorização do saber ancestral e uso da língua materna em escolas primárias e secundárias do município.
“Na região do Rio Negro, especificamente em São Gabriel da Cachoeira, as organizações indígenas que lutam pela educação escolar indígena têm realizado sensibilização da importância de uma pedagogia diferenciada. Para que o município de fato implemente uma educação indígena, de acordo com a realidade social das comunidades, onde sua cultura seja preservada e utilizada nas salas de aula”, pontua Maria.
Além das formações, o projeto também inclui a realização de uma pesquisa com jovens indígenas da região. O estudo de caso terá dois focos, envolvendo alunos que sofreram discriminação racial na sala de aula por professores indígenas e não indígenas, e sobre a sua a percepção acerca desse racismo vivenciado, mesmo que não o tenham percebido.
Para Maria, esta parceria com a CESE é relevante pois os pequenos apoios dão condições para que as organizações indígenas cheguem nas comunidades. “A partir desses projetos, podemos levar formação e informação para aqueles que não tem conhecimento sobre as leis e políticas públicas que se tem direitos. Essas informações – sobre a saúde, educação e território – são temas importantes e que estão chegando aos povos nas comunidades”.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!