10 de dezembro: uma data, um emblema de conquistas e resistências
11 de dezembro de 2017
Em 10 de Dezembro, quando celebra-se o Dia Universal dos Direitos Humanos. A dimensão universal é mais que verdadeira e necessária. Afinal muitos dos dilemas do mundo, como o racismo, a intolerância e a banalização da morte e vítimas de guerras, não diferem tanto de nossa própria realidade, com as chacinas de sem-terras, indígenas e quilombolas no ‘Brasil profundo’ e o extermínio de jovens negros nas periferias urbanas.
Sucedem-se crimes socioambientais pela avidez de um produtivismo desenfreado contra nossas florestas e recursos naturais, ditado especialmente pela expansão do agronegócio e mineração. Um tempo de guerra, sem paz, um momento melancólico para quem, como nós, reconheceu em tempos recentes sinais de mudanças, de direitos conquistados com as cotas raciais, a existência do SUS, do quase pleno emprego, do Brasil fora do Mapa da Fome. Havia muito por fazer, mas uma sensação de estar com a história nas mãos. Agora não, vivemos um estado de exceção. A invasão e prisão arbitrária de dirigentes universitários sob a pecha investigatória contra um símbolo onde se vivencia liberdade e produção de conhecimentos, a repressão a estudantes secundaristas, a violência contra mulheres, perseguição à população LGBT e a intolerância religiosa contra o ‘povo de santo’ expressam este sentimento de fascismo social tão evidente nas ditaduras.
Passados um ano e meio do impeachment – o golpe institucional que destituiu uma presidente legitimamente eleita, vimos a piora das condições de vida, a supressão de direitos básicos, mais 3 milhões de desempregados, a indústria naval sucateada, a entrega do Pré-Sal às petrolíferas internacionais, a criminalização dos que lutam por direitos e liberdade. São os direitos deixando de ser, para serem acessados na forma de ‘serviços’ comprados no mercado. Assistimos e sofremos a financeirização da vida, que tem a ver com o domínio insano do capital financeiro.
Neste rastro de supressão de direitos, a população atônita assiste a orquestração de um Congresso venal que transita livremente pelos labirintos do governo e de onde vêm carregados de leis antipopulares como a PEC, que congela gastos sociais e a contrarreforma trabalhista que submete a classe trabalhadora a regimes escravizantes, querendo quebrar a espinha protetora dos sindicatos. E o mais grave entre todas as medidas, a “bola da vez” que é a contrarreforma da Previdência com graves repercussões para as futuras gerações de brasileiros e brasileiras, alongando o tempo laboral e reduzindo a proteção social para as futuras gerações, ao mesmo tempo, favorecendo a previdência privada. Um golpe fatal aos direitos históricos das maiorias empobrecidas.
E o povo resiste e se mexe muito. Grandes manifestações e pequenas reuniões vão criando o caldo da resistência e reconquistas, como no Fórum Social Mundial, que acontecerá em meados de março, em Salvador, e para o qual deverão marchar sindicatos e outros movimentos sociais da Bahia, do Brasil e do mundo, com apoio das juventudes, intelectuais, universidades e igrejas progressistas será um momento de convergência de saberes e vontades para um outro mundo possível, mais justo, democrático e fraterno.
A CESE se mexe junto, e vem reafirmar o seu compromisso de continuar apoiando a luta contra toda forma de exclusão e opressão, através do apoio a pequenos projetos de grupos e organizações populares na busca por direitos, justiça e dignidade.
#DiaInternacionaldosDireitosHumanos #cesedireitos
#NenhumDireitoaMenos!
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.