Notícias
Comunicação estratégica Diálogo e Articulação com Igrejas

Campanha “Boto Fé no Voto” é lançada oficialmente em Brasília

31 de julho de 2026

Em um contexto marcado pelo avanço da desinformação e pela aproximação das eleições de 2026, foi lançada, na noite da última quinta-feira (30), na Catedral Anglicana de Brasília, a Campanha BOTO FÉ NO VOTO – Eu escolho a verdade

A iniciativa reúne organizações ecumênicas, igrejas, movimentos sociais, coletivos de comunicação e agências de cooperação com o objetivo de fortalecer a democracia por meio da promoção do voto consciente e do enfrentamento à desinformação, especialmente a que circula nos ambientes de fé. Mais do que uma campanha de comunicação e informação, a proposta busca construir uma ampla rede de mobilização comprometida com a circulação de informações confiáveis, a valorização do diálogo e a formação cidadã. 

Além do Coletivo Bereia e da  CESE,  a ação conta com a parceria das seguintes organizações: Catedral Anglicana de Brasília, CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, Cáritas Brasileira, Fé no Clima/ISER, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Diaconia, CESEEP, CAIS Assessoria, Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Papo de Crente, Novas Narrativas Evangélicas, além das agências de cooperação DKA Áustria, Brot für die Welt e Misereor.

Um espaço de fé, acolhimento e compromisso com a verdade

A cerimônia de lançamento foi realizada na Catedral Anglicana de Brasília e reuniu representantes de igrejas, organizações ecumênicas, movimentos sociais, comunicadores e lideranças religiosas comprometidas com a defesa da democracia e dos direitos humanos.

Na acolhida às pessoas participantes, a reverenda Tatiana Ribeiro, deã da Catedral Anglicana de Brasília, destacou que o templo permanece aberto como espaço de encontro, diálogo e construção coletiva. Em seguida, o bispo anglicano Maurício Andrade saudou as organizações presentes e celebrou o caráter coletivo da iniciativa, ressaltando que a campanha nasce da união de diferentes instituições comprometidas com a democracia. Para o bispo, campanhas como a BOTO FÉ NO VOTO demonstram que a esperança não é uma postura passiva, mas um compromisso permanente com a construção de uma sociedade mais justa, democrática e fraterna.


Sônia Mota, diretora executiva da CESE, abriu oficialmente o evento: “Essa noite é de uma alegria muito grande.’’ Ela ressaltou que a escolha da Catedral possui um significado especial diante do atual contexto brasileiro. Segundo Sônia, em um momento em que diversos espaços religiosos têm sido utilizados para disseminar discursos de ódio, mentiras e desinformação, realizar o lançamento da campanha em uma igreja reafirma o papel que as comunidades de fé podem exercer na promoção da verdade, da justiça e da dignidade humana.

“A escolha da verdade é a escolha do caminho democrático e a escolha da manutenção dos valores humanos.” Nossa proposta não é orientar o voto nem apoiar candidaturas, mas incentivar que cada pessoa busque informações confiáveis, reflita criticamente sobre os conteúdos que recebe e exerça seu direito ao voto de forma livre, responsável e consciente”, afirmou Sonia, que também é pastora da IPU.

Pesquisa, diálogo e educação midiática: os caminhos apontados para enfrentar a desinformação

Além do lançamento oficial da campanha, o encontro foi marcado por uma roda de diálogo que reuniu pesquisadoras e lideranças com ampla trajetória na reflexão sobre comunicação, religião e democracia. Participaram da conversa a jornalista, pesquisadora e fundadora do Coletivo Bereia, Magali Cunha, e representante do ISER no evento; a comunicadora, cofundadora do Projeto Redomas, diretora do Novas Narrativas Evangélicas e pastora, Luciana Petersen, além da escritora, educadora popular e coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Nilza Valéria, que compartilharam experiências acumuladas nos últimos anos no enfrentamento à desinformação em comunidades de fé.

Ao recordar a origem da iniciativa, Magali Cunha explicou que a campanha nasce de um processo de pesquisa iniciado ainda em 2019, quando um grupo de pesquisadoras e pesquisadores buscou compreender como a desinformação circulava entre comunidades cristãs, especialmente nos ambientes evangélicos. Segundo ela, o estudo revelou um cenário muito mais amplo e preocupante do que se imaginava inicialmente, demonstrando que conteúdos falsos encontravam terreno fértil justamente em espaços marcados pela confiança entre as pessoas. “O resultado foi tão surpreendente, tão amargante que nasceu para a gente então fazer alguma coisa concreta: checar os conteúdos, contrapor à verdade e oferecer processos educativos também.”

Foi dessa constatação que surgiu o Coletivo Bereia, hoje referência nacional na checagem de conteúdos relacionados à religião. Essa trajetória dá origem à campanha Boto Fé no Voto – Eu escolho a verdade, realizada pelo Bereia e pela CESE — com quem já desenvolveu campanhas de enfrentamento à desinformação em 2019 e 2022 — e com diversas organizações ecumênicas e da sociedade civil.

Ao apresentar alguns dos principais desafios identificados para o período eleitoral de 2026, Magali chamou a atenção para a recorrência de determinadas narrativas de desinformação que voltam a circular a cada processo eleitoral. Entre elas estão conteúdos que buscam desacreditar o sistema eleitoral brasileiro, disseminar medo, estimular teorias conspiratórias ou utilizar argumentos religiosos para influenciar escolhas políticas.

Quando a mentira vira uma estratégia, pra convencer, pra captar apoio e trapacear e destruir a reputação de alguém e destruir uma pessoa considerada inimiga, aí a gente tem um grande problema. E a gente tá aqui pra denunciar isso, quando a mentira é utilizada como arma política em campanhas eleitorais.

A novidade é a mentira se tornar algo estratégico, elaborado e financiado. Tem gente ganhando com a mentira. Magali ressaltou que, lamentavelmente, nos grupos religiosos é que a mentira se alastra, e encontra guarida: “As pessoas de fé são boas e acreditam. Elas têm na sua estrutura de vida, acreditar’. Esses grupos que ganham com a mentira produzem conteúdo para disseminar nas comunidades de fé. Se chega uma mensagem no WhatsApp da igreja, quem duvida? É da igreja, é do lugar da confiança, quem vai questionar?”, explicou Magali.

Quando a desinformação chega às comunidades

Nilza Valéria relatou o início dos podcasts Papo de Crente, iniciativa criada em 2021 após uma demanda apresentada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo ela, o movimento identificou que informações falsas sobre a pandemia de Covid-19 e, principalmente, sobre a vacinação estavam chegando aos assentamentos por meio de igrejas instaladas nesses territórios e pelos grupos de WhatsApp. Como a vivência religiosa faz parte do cotidiano dos assentamentos, muitos conteúdos acabavam sendo compartilhados sem qualquer processo de verificação, fortalecendo dúvidas e inseguranças. O papo de crente passou a produzir podcasts de combate à desinformação e orientativos para distribuição nas rádios regionais ouvidas nessas comunidades e hoje conta com mais de 30 rádios que veiculam seu conteúdo.

Quanto à campanha Boto Fé no Voto – Eu escolho a verdade, Nilza afirmou que ainda existe abertura para construir pontes entre pessoas com visões diferentes: “Botar fé no voto é botar fé que há espaço e caminho para o diálogo.” Para ela, esse é precisamente o espírito da campanha: acreditar que o enfrentamento da desinformação não acontece apenas pela apresentação de dados ou pela correção de informações falsas, mas pela reconstrução de relações de confiança capazes de favorecer a escuta e o encontro.

Ao refletir sobre o cenário político e religioso brasileiro, Nilza reconheceu que existem lideranças profundamente comprometidas com projetos que alimentam a polarização e a circulação de conteúdos enganosos: “Há líderes que estão profundamente comprometidos com esses projetos nefastos, mas, das minhas andanças, das minhas experiências e do que tenho construído, eu afirmo com certeza: até quem não está do nosso lado está aberto a nos ouvir e ao diálogo, se a gente achar os caminhos para ampliar esse diálogo. O grande desafio não está apenas no conteúdo das mensagens, mas na forma como esse diálogo é construído. Qual é a métrica que eu vou achar para entrar nesse diálogo?”

Na sequência, explicou que essa “métrica” não pode ser definida pelas próprias convicções de quem deseja convencer o outro, mas precisa nascer da escuta e do reconhecimento das referências, experiências e valores da pessoa com quem se dialoga. ‘O que eu tenho a dizer e que eu celebro nessa campanha é que a gente busque essa referência. Que a gente tenha o outro, a outra, como referência para construir discursos.”

Fé e comunicação para fortalecer a democracia 

A jovem comunicadora e pastora Luciana Petersen atua no Novas Narrativas Evangélicas, movimento que constrói uma cultura de espiritualidades para gerar transformação social, organizando a disputa da identidade evangélica por meio de ações e agendas antifundamentalistas e propositivas, diretamente conectadas a temas centrais da fé evangélica e dos principais desafios sociais do Brasil.  

A jornalista trouxe uma reflexão sobre os desafios da comunicação em uma sociedade cada vez mais mediada pelas plataformas digitais.  Segundo ela, a forma como as pessoas se informa, constroem vínculos e até vivenciam a fé tem sido profundamente transformada pelo processo de “plataformização”, exigindo das comunidades religiosas novas formas de comunicar o Evangelho e de promover o diálogo. Para Luciana, fortalecer a democracia também passa por recuperar a capacidade das comunidades cristãs de comunicar os valores que estão na base de sua própria identidade.

“Acho que o nosso maior desafio é lembrar quem somos, lembrar das nossas comunidades, das nossas bases e do nosso próprio DNA cristão. O Reino de Deus é justiça, paz e alegria. É isso que nos constitui e é isso que somos chamados a promover. No fundo, nossas comunidades sabem que o discurso de ódio não combina com Jesus e não combina com o Reino de Deus. Essa convicção já faz parte da nossa fé; o que precisamos é relembrá-la e comunicá-la“, reflete Luciana.

Próximos passos da Campanha Boto Fé no Voto

A campanha BOTO FÉ NO VOTO – Eu escolho a verdade seguirá ao longo de todo o período eleitoral de 2026.

A programação prevê a produção e a circulação de materiais educativos para redes sociais, vídeos, conteúdos de orientação, além da realização de rodas de diálogo, lives e atividades formativas destinadas a lideranças religiosas, comunicadores, jornalistas e integrantes de comunidades de fé. Alguns temas geradores de mentiras e medo que serão tratados na campanha: questões de gênero, cristofobia, economia, educação, segurança pública, urnas eletrônicas. Os materiais educativos, formações e demais ações da campanha serão disponibilizados gratuitamente pelos canais oficiais da iniciativa e das organizações parceiras.

A proposta é que igrejas, comunidades de fé, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e pessoas comprometidas com a democracia possam aderir à campanha, compartilhar os materiais produzidos, promover espaços de diálogo em seus próprios contextos e fortalecer uma cultura de responsabilidade no compartilhamento de informações.

Acesse aqui a LIVE completa

Acesse aqui a página da campanha!

Siga as redes sociais das organizações que promovem a campanha e compartilhe o material! 

#BotoFénoVoto

Compartilhar
Depoimentos

VEJA O
QUE FALAM SOBRE NÓS

DOE PARA UM
PROJETO

Faça uma doação