Senhoras de Rua: Documentário resgata história do movimento de mulheres negras
26 de novembro de 2018


Comerciantes, ruralistas, quilombolas, militantes e mulheres de axé tem a rua como espaço comum para a transformação e revolução, é essa história apresentada no documentário” Obirim Olodê: Mulheres Negras, Senhoras de Rua”. O lançamento reuniu segmentos diversos da luta negro feminina na última sexta-feira (24), no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador.
O documentário foi produzido pela Rebento Produções, e a atividade é resultado do projeto desenvolvido pela Associação Cultural e Carnavalesca Afoxé Kambalagwanze com apoio da CESE e da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI). O filme retrata a luta e ações políticas de mulheres negras desde as primeiras formações do Movimento Negro Unificado (MNU) até a primeira Marcha Nacional de Mulheres Negras, que reuniu 50 mil pessoas, em 2015.
“A estratégia que o opressor usou para nos dilacerar foi esconder nossa história. Resgatar essas histórias é fundamental”, afirmou Suely Santos, representante da Rede de Mulheres Negras. Para Suely é necessário usar os recursos como o cinema e audiovisual para elaborar contra narrativas da história de luta de mulheres negras.
Segundo Suely, o celular pode ser um recurso melhor empregado na reconstrução das história, sobretudo nos quilombos. “Precisamos fazer destes dispositivos instrumentos de luta”, apontou.
“Se estamos em nosso quilombo e temos um celular, é preciso registrar essas memórias, sobretudo contada por nossas mais velhas. Precisamos que a juventude saiba de onde veio e por onde vai”, descreveu.
Senhoras de Rua
Iracema Neves, à frente da Associação Cultural e Carnavalesca Afoxé Kambalagwanze destacou a urgência da politização de mulheres negras para a construção de um laço solidário. “Por aí a fora vemos a fragilidade política e até a dificuldade de conquistar o pão de cada dia de mulheres negras, por isso é importante que projetos como estes que possibilitam um laço solidário e político”, destacou.
Para Iracema o projeto é um caminho de fortalecimento das mulheres negras. “Precisamos fazer uma grande corrente para formar uma trincheira de solidariedade e politização de mulheres”, reforçou. Para Daiane Silva, representante da Rebento Filmes, produtora formada apenas por mulheres, o documentário enaltece uma história que pouco estamos familiarizado pelos livros de história.
“Me sinto honrada de fazer parte de um trabalho desta dimensão que retrata a história de um movimento de mulheres negras” , afirmou Daiane. O documentário foi dirigido por Larissa Fulana de Tal, que assina trabalhos como “Lápis de Cor” (2014).“Foi uma aprendizagem para gente, especificamente neste documentário. Fomos mobilizadas também pois também estamos na rua filmando”, salientou Daiane.
Para Clélia Costa, secretária executiva da SEPROMI, o documentário registra um material que a juventude negra deverá ter orgulho em saber contar. “Com esse material é possível que a juventude tenha orgulho de nascer resultado e ser parte de uma descendência, cuja a ascendência é rica em arte, cultura, formas de ser, estratégias e capacidade tecnológica”, afirmou. O projeto foi desenvolvido com o apoio do edital da Década Afrodescendente, da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e Rede de Mulheres Negras.
Fonte: Correio Nagô
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A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!