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Apoio a Projetos

Aquilombando a juventude: o Projeto Circulô 3.0 fortalece juventudes negras nas periferias de Salvador

31 de março de 2026

Iniciativa do Coletivo Resistência Preta articula arte, cultura e formação política para ampliar o protagonismo juvenil e o direito à cidade

“Andar tranquilamente na favela em que nasci”, trecho da música Rap da Felicidade, é mais do que um verso que marcou gerações: trata-se de uma reivindicação histórica das juventudes negras brasileiras. Inspirado nessa urgência, o Projeto Circulô 3.0 articula cultura, política e direito à cidade para criar espaços onde jovens periféricos possam falar, se reconhecer e construir coletivamente. A iniciativa é do Coletivo Resistência Preta (CRP), com apoio da CESE, por meio do Programa de Pequenos Projetos, utilizando a Metodologia de Dupla Participação.

Arte, cultura e formação política como ferramentas de transformação social

O projeto Circulô 3.0 – Andar Tranquilamente na Favela em que Nasci visa circular arte e cultura nas periferias de Salvador, fortalecendo a capacidade política de jovens negros da cidade, com foco na promoção da formação entre pares. A proposta surge como uma forma de reivindicação política dos espaços da capital baiana, contribuindo para a ampliação do protagonismo das juventudes negras, o fortalecimento da leitura crítica da cidade e da participação nos processos de tomada de decisão, além da criação de redes comunitárias juvenis e da ampliação do acesso à cultura, à arte e à formação política. As ações utilizam linguagens como dança, capoeira, grafite, escrita criativa, percussão e batalhas de poesia.

Um ponto central do projeto foi o fortalecimento da escuta das juventudes periféricas pelo poder público, por meio da elaboração e entrega de um documento de proposições de políticas públicas e da produção do PodCircular, podcast que reúne histórias e experiências das juventudes periféricas de Salvador.

A fundadora e coordenadora do Coletivo Resistência Preta, Laís Santana Pinho, conta que o Circulô 3.0 foi executado a partir da estrutura organizativa do coletivo, que funciona como uma plataforma social do movimento negro. A organização mantém relações diretas com lideranças locais dos bairros e, especialmente, com o Núcleo de Juventudes, composto por dez coordenadores territoriais articulados em suas comunidades.

“Cada coordenador foi responsável por pensar e executar uma atividade em seu território, respeitando as especificidades locais. Essas ações funcionaram como estratégias de mobilização, divulgação e sensibilização, despertando o interesse das juventudes para o Fórum Circulô, espaço central de encontro, troca e construção coletiva do projeto”, explica.

Nas duas primeiras edições, o Circulô realizou atividades na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e na Universidade Federal da Bahia (UFBA), entendidas como espaços que devem ser ocupados e transformados pelas juventudes negras. Nesta terceira edição, além das universidades, o projeto ampliou sua atuação para bairros da cidade.

As atividades aconteceram no segundo semestre de 2025, em territórios como Valéria, Nordeste de Amaralina e IAPI, além de ocuparem um dos campi da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A programação contou com rodas de conversa, oficinas de capoeira, dança e escrita criativa, além da realização do Fórum Circulô.

Segundo a coordenação, as ações foram implementadas de forma territorializada e interligada. Cada atividade dialogou com o tema central do projeto, contribuindo para fortalecer o engajamento das juventudes e criar uma linha contínua entre mobilização, formação e encontro coletivo. “Essa articulação garantiu coerência metodológica e fortaleceu o sentimento de pertencimento ao projeto”, afirma.

Para Laís Santana Pinho, o apoio do Programa de Pequenos Projetos (PPP/CESE) foi fundamental para a existência do Circulô 3.0. “Esse apoio possibilitou dar início ao projeto, garantir as primeiras ações nos territórios e estruturar a agenda coletiva. Acreditamos que, sem esse suporte anual, seria muito mais difícil construir e sustentar as atividades junto às comunidades”, conclui.

Programa de pequenos projetos

Desde a sua fundação, a CESE definiu o apoio a pequenos projetos como a sua principal estratégia de ação para fortalecer a luta dos movimentos populares por direitos no Brasil.

Quer enviar um projeto para a CESE? Aqui uma lista com 10 exemplos de iniciativas que podem ser apoiadas:

1. Oficinas ou cursos de formação

2. Encontros e seminários

3. Campanhas

4. Atividades de produção, geração de renda, extrativismo

5. Manejo e defesa de águas, florestas, biomas

6. Mobilizações e atos públicos

7. Intercâmbios – troca de experiências

8. Produção e veiculação de materiais pedagógicos e informativos como cartilhas, cartazes, livros, vídeos, materiais impressos e/ou em formato digital

9. Ações de comunicação em geral

10. Atividades de planejamento e outras ações de fortalecimento da organizaçãoClique aqui para enviar seu projeto! Mas se você ainda tiver alguma dúvida, clica aqui.

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