Notícias
Apoio a Projetos

Encontro Pré-Marcha fortalece mulheres negras do Amapá por reparação e bem viver

13 de março de 2026
Ouça este conteúdo

Encontro Pré-Marcha fortalece mulheres negras do Amapá por reparação e bem viver

Recurso de acessibilidade: versão em áudio do texto.

--:--
0:00 -0:00

Localizado no extremo norte do Brasil, o Amapá é um estado fronteiriço marcado por profundas desigualdades sociais, raciais e de gênero. Com mais de 870 mil habitantes, segundo o Censo Demográfico do IBGE de 2022, o estado tem 72% de sua população autodeclarada preta ou parda, evidenciando a centralidade da população negra em sua formação histórica e cultural. Ainda assim, meninas e mulheres negras seguem sendo as mais afetadas pelo racismo, pela violência de gênero e pela exploração econômica e ambiental, agravadas pela condição de fronteira com o Pará, a Guiana Francesa e o Suriname.

Os dados revelam um cenário de vulnerabilidade que atravessa diferentes dimensões da vida. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2021, 60% das vítimas de violência sexual no Amapá são meninas negras. O estado também figura entre os que apresentam os maiores índices de desemprego do país: 10,9%, de acordo com a FGV (2023), sendo que apenas 51,5% das mulheres negras em idade ativa estão empregadas. Comunidades quilombolas, ribeirinhas e periféricas enfrentam a ausência de políticas públicas básicas, como saneamento, saúde, educação e moradia digna, enquanto atividades como garimpo ilegal, tráfico de drogas e de pessoas e extração predatória de madeira e minérios impactam diretamente a vida das meninas e mulheres negras.

É nesse contexto que se insere o Encontro Estadual de Formação Pré-Marcha, organizado pelo Comitê Impulsor Amapá da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, como uma estratégia de enfrentamento às opressões e fortalecimento da formação política das mulheres negras no estado. A iniciativa teve como objetivo capacitar lideranças, fortalecer redes de proteção e denúncia, e elaborar a Carta de Reivindicações das Meninas e Mulheres Negras Amapaenses, um documento orientador para políticas públicas e ações afirmativas no estado.

Para Andressa de Jesus, integrante do Comitê, a Marcha representou um marco histórico para o Amapá, e a mobilização teve um significado ainda maior diante dos desafios territoriais do estado. “É um marco para a história do estado do Amapá, porque nós temos muitas dificuldades de mobilização por conta dos diversos territórios, muitas vezes distantes, em as áreas ribeirinhas. Esse ato veio dar visibilidade para a luta das mulheres negras. O apoio da CESE permitiu justamente a presença dessas mulheres nesses espaços para que elas pudessem falar dos seus territórios.”

O projeto foi pensado de forma coletiva pelo Comitê Estadual de Mulheres Negras, em parceria com o GHATA (Grupo das Homossexuais Thildes do Amapá), que integrou o comitê e contribuiu para o desenvolvimento das ações. A proposta central foi promover a troca de experiências entre mulheres de diferentes municípios e territórios do estado.

O Encontro Estadual de Formação Pré-Marcha aconteceu nos dias 11 e 12 de setembro e reuniu cerca de 200 meninas e mulheres negras dos 16 municípios do Amapá e de cidades limítrofes, priorizando aquelas em situação de maior vulnerabilidade social.

A programação incluiu mesas de debate, palestras, workshops, atividades culturais e grupos de trabalho temáticos, abordando temas como reparação histórica, enfrentamento ao racismo e ao sexismo, juventude negra e ativismo digital, identidade negra amapaense, justiça climática e racismo ambiental, saúde da mulher negra, educação e evasão escolar, violência de gênero e geração de renda, além do legado da Marcha de 2015 e os desafios para 2025.

Segundo Andressa, o objetivo geral do projeto foi garantir que essas mulheres participassem tanto do encontro quanto da Marcha Nacional em Brasília. “Nosso objetivo era compartilhar saberes, histórias de mulheres negras, dos seus diversos territórios, para entendessem a importância de participar da Marcha”, avalia. Ela argumenta ainda que a formação política é essencial nesse processo de compreensão do que é ser uma mulher negra em uma sociedade racista, misógina e preconceituosa, que à empurra sempre para a margem. “O resultado esperado é que a gente se fortaleça cada vez mais para lutar por políticas públicas, por Reparação e Bem Viver.”

O apoio da CESE, por meio do Programa de Pequenos Projetos, foi fundamental para viabilizar a execução das ações, garantindo suporte logístico, alimentação e transporte para as participantes. “Ele possibilita que pequenos projetos possam alavancar e alcançar pessoas que vivem em diversos territórios, como é o caso do Amapá”, afirma Andressa. Segundo ela, esse apoio possibilitou que mulheres de áreas ribeirinhas, quilombolas e periféricas estivessem juntas, fortalecendo um projeto pensado e executado por elas mesmas.

O Encontro Estadual de Formação Pré-Marcha reafirmou o protagonismo das mulheres negras amazônidas e sua centralidade na construção de estratégias coletivas de resistência, incidência política e defesa do Bem Viver. Ao fortalecer redes, compartilhar saberes e elaborar uma carta coletiva de reivindicações, o projeto contribuiu para ampliar a visibilidade das mulheres negras do Amapá e para fortalecer sua luta por direitos, reparação histórica e justiça social.

Desde a sua fundação, a CESE definiu o apoio a pequenos projetos como a sua principal estratégia de ação para fortalecer a luta dos movimentos populares por direitos no Brasil.

Programa de Pequenos Projetos

Quer enviar um projeto para a CESE? Aqui uma lista com 10 exemplos de iniciativas que podem ser apoiadas:

  1. Oficinas ou cursos de formação
  2. Encontros e seminários
  3. Campanhas
  4. Atividades de produção, geração de renda, extrativismo
  5. Manejo e defesa de águas, florestas, biomas
  6. Mobilizações e atos públicos
  7. Intercâmbios – troca de experiências
  8. Produção e veiculação de materiais pedagógicos e informativos como cartilhas, cartazes, livros, vídeos, materiais impressos e/ou em formato digital
  9. Ações de comunicação em geral
  10. Atividades de planejamento e outras ações de fortalecimento da organização

Clique aqui para enviar seu projeto! Mas se você ainda tiver alguma dúvida, clica aqui.

Compartilhar
Depoimentos

VEJA O
QUE FALAM SOBRE NÓS

DOE PARA UM
PROJETO

Faça uma doação