CESE realiza 2ª Etapa do Curso sobre Incidência Política
03 de novembro de 2019


Entre os dias 25 e 29 de novembro, movimentos sociais e organizações populares de várias localidades do país participaram da 2ª Etapa do Curso sobre Incidência Política, realizada na sede da CESE, em Salvador (BA). Estiveram presentes movimento ecumênico e de mulheres negras, juventude negra, e populações tradicionais como povos indígenas, comunidades quilombolas, catadoras de mangada e fundo e fecho de pasto.
Compuseram a programação deste segundo momento de formação: aprimoramento de marcos legais no campo de direitos, limites e possibilidades da comunicação para luta por direitos, estratégias de monitoramento e avaliação das ações de incidência.
“Essa etapa do curso foi muito importante, pois nos alerta para o que está acontecendo no nosso país e como podemos utilizar as leis ao nosso favor. Pude conhecer as experiências das outras organizações e refletir que o aquilombamento é uma das estratégias de proteção. ”, conta Sheyla Klícia Silva da Rede de Mulheres Negras da Bahia.


A formação contou com a participação de organizações parceiras para colaborar na facilitação do curso. A Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais da BAHIA (AATR-BA) contribuiu com a partilha de conteúdo sobre a diversidade de instâncias dos órgãos municipais, estaduais e federais em que se pode fazer incidência e os instrumentos legais cabíveis em cada uma delas. Houve também atividades práticas e utilização de ferramentas com foco na elaboração de instrumentos como habeas corpus, por exemplo.
O Odara – Instituto da Mulher Negra e o Coletivo Baiano Pelo Direito à Comunicação (CBCOM) contribuíram na formação com a discussão sobre importância de construir estratégias de comunicação, disputar narrativas com a grande mídia e utilizar os recursos alternativos para se fazer ouvir.
Alane Reis, comunicadora do Odara e também integrante da Revista Afirmativa, descreve que apesar das dificuldades de quebra da hegemonia da mídia, grupos historicamente oprimidos vêm traçando estratégias de comunicação: “A comunicação é um traço cultural humano e mesmo com o controle de quem pode falar e do que pode ser falado, mulheres negras escravizadas de Minas Gerais e da Bahia se articulavam na luta através do Correio Nagô”. E completa: “Apesar da conjuntura genocida, continuamos na resistência colocando em pauta nossas culturas e identidades locais, porque somos especialistas da nossa própria comunicação e produzimos nossas próprias narrativas.”.


Para entender a importância da mobilização de parceiros/as para o êxito de ações de incidência, os/as participantes visitaram o Parque São Bartolomeu, localizado no subúrbio ferroviário de Salvador (local onde organizações populares, grupos de cultura e de juventude resistem para preservação e manutenção da área). O momento foi de vivência com riquezas naturais da região, repleta de matas e cachoeiras, mas também de debate e troca de experiência sobre as formas de resistir para permanecer em seus territórios.
A formação integra o “Virando o Jogo”, programa de apoio ao fortalecimento de organizações nas áreas de mobilização de recursos locais e incidência política, incluindo atividades de formação presenciais e a distância. “Virando o Jogo” é uma iniciativa da agência de cooperação holandesa Wilde Ganzen, em conjunto com Smile Foundation (Índia), KCDF (Quênia) e CESE (Brasil), com o apoio do governo holandês.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.