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Organizações discutem sobre fortalecimento institucional e sustentabilidade no atual contexto político
30 de outubro de 2017




Inquietações sobre o contexto, resiliência, resistência, fortalecimento e esperança foram alguns dos elementos que os participantes levaram na bagagem durante o Seminário de Avaliação do Programa Desenvolvimento Institucional (PDI).
Nos últimos dias 26 e 27 de outubro, a CESE, em parceria com Instituto C&A, convidou organizações selecionadas nas quatro edições do Edital Mobilizando Recursos Locais para a Sustentabilidade para favorecer o encontro e intercâmbio das atividades de mobilizações de recursos e apreciar em que medida cada instituição logrou executar o projeto, alcançando os resultados e/ou produtos esperados.
Segundo o coordenador do PDI na CESE, José Carlos Zanetti, nos quatro anos de programa foi executado interessantes projetos no amplo campo do Desenvolvimento Institucional das entidades, voltado especialmente àquelas localizadas nas regiões mais empobrecidas do país e que estavam comprometidas com o Direito Humano à Educação. E completa, “Nossa intenção foi colaborar com o fortalecimento e as condições de sustentabilidade de grupos e redes, reconhecendo a importância da autonomia para a afirmação da democracia e as possibilidades de transformação social.”




Os participantes ainda discutiram, olhando internamente para suas organizações o grau de DI em que se encontra sua organização e até que ponto se pode creditar seu desenvolvimento ao projeto proposto nos marcos do edital. Para Dafne Spolit da Operação Amazônia Nativa – OPAN, o apoio ao projeto “Estruturação de Processos Organizativos para o Fortalecimento Institucional da OPAN “ , contribui significativamente para crescimento da entidade “Graças ao apoio da CESE e do Instituto C&A realizamos nosso de PMA de forma mais aprimorada e implantamos os planos de comunicação e mobilização de recursos, que antes não existia”.
Além disso, o seminário foi composto de uma enriquecedora roda de conversa sobre os desafios da atual conjuntura, identificando quais componentes do DI que precisavam ser reforçados para a efetividade da missão e ampliação das ações de incidência política. A afirmação e defesa dos direitos humanos, da educação e democratização da comunicação foram pautas comuns entre as entidades presentes, consideradas fundamentais e essenciais dessa luta, seja qual for os desdobramentos da atual crise política.


O que ficou da formação? Acordos de compartilhamento das informações, Campanha Nacional pelo Direito à Educação, preparação para participação no Fórum Social Mundial, articulação, movimento e luta para o fortalecimento das organizações da sociedade civil.
Sobre o Programa PDI
Há cinco anos, CESE e Instituto C&A convidam organizações que trabalham na educação e defesa dos direitos de crianças, adolescentes e jovens a participar do edital “Mobilizando Recursos Locais para a Sustentabilidade”. Essa parceria contribui com o fortalecimento e as condições de sustentabilidade das organizações, respondendo às suas necessidades e viabilizando as suas ações sociais.
Entre 2012 e 2015, foram apoiados projetos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. O programa apoiou 59 projetos, com aplicação de R$ 1.250.000,00. Inspirados na metodologia da Dupla Participação, compreendendo propostas de 10 e 20 mil reais, para complementar o valor integral, os grupos selecionados mobilizaram R$ 183.000,00.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!