Nota Oficial: Militantes do MAM e da CPT são presos durante intercâmbio no Zimbábue
11 de novembro de 2017Hoje, 10 de novembro de 2017, três brasileiros foram presos no Zimbabwe: Frei Rodrigo Peret, militante da Comissão Pastoral da Terra de Uberlândia, Maria Julia Gomes Andrade e Jarbas Vieira, militantes do MAM – Movimento pela Soberania Popular na Mineração e membros da secretaria do Comitê Em Defesa dos Territórios Frente à Mineração.
O grupo de brasileiros participava de atividade de intercâmbio do Diálogo dos Povos Brasil e América Latina e foram detidos com mais 22 pessoas de cinco países africanos que também estavam na mesma comitiva. Eles estão detidos na delegacia central da cidade de Mutare, que fica a 270 quilômetros da capital, Harare, na fronteira com Moçambique.
A alegação para a prisão do grupo é de que estariam violando uma área de propriedade privada, que pertence a uma mineradora chinesa, que explora diamante na região; no entanto, a atividade era realizada em uma comunidade onde vivem cerca de 6 mil pessoas.
A EMBAIXADA BRASILEIRA NO ZIMBÁBUE já foi acionada e está em contato com a polícia local para reunir mais informações. A Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, também já está acompanhando o caso. A chefia do Departamento para África Central do MRE igualmente já foi notificada.
Há grande preocupação com o momento de instabilidade política do Zimbábue. Diversas organizações e militantes estão mobilizando as suas redes para prestar apoio e solidariedade aos companheiros e a todo o grupo.
CPT – Comissão Pastoral da Terra
MAM – Movimento pela Soberania Popular na Mineração
Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração
Justiça Global
FASE
Articulação internacional dos atingidos e atingidas pela Vale
Fian Brasil
Fian Internacional
Via Campesina Brasil
Instituto Politicas Alternativas para o Cone Sul (PACS)
Amigos da Terra Brasil
Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular
Rede Nacional de Advogados e Advogados Populares
Justiça nos Trilhos
Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos
Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais
Rede brasileira de justiça ambiental
Artigo 19
Sinfrajupe
PoEMAS – Grupo de Pesquisa e Extensão Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade
Terra de Direitos
Plataforma Dhesca
Franciscans International
Grupo de Estudos e Pesquisas Socioambientais- GEPSA/UFOP
Homa – Centro de Direitos Humanos e Empresas
IANRA – International Alliance on Natural Resources in Africa
PODER – Project on Organization, Development, Education and Reseat
INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos
Grupo de Pesquisa Terra em Cena
Grupo de Pesquisa Modos de Produção e Antagonismos Sociais
FDCL – Forschungs und Dokumentationszentrum Chile Lateinamerika – Alemanha
Acionistas Críticos – Alemanha
IPSL – Institut Portugiesischsprachiger Länder – Alemanha
KOBRA – Kooperation Brasilien – Alemanha
GESTA – Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais/UFMG
CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço
Foto / Human Rights Watch – texto
Imagem destacada: https://racismoambiental.net.br/2017/11/11/militantes-do-mam-e-da-cpt-sao-presos-durante-intercambio-no-zimbabue/
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)