Nota do Fórum Permanente de Negritude da Aliança de Batistas do Brasil
22 de setembro de 2016
A Aliança de Batistas do Brasil vem a público manifestar seu repúdio aos atos de intolerância religiosa que têm sido praticados contra lideranças de terreiros de matrizes africanas, ocorridos recentemente no estado do Rio de Janeiro, mas que sabemos se tratar de uma prática histórica e recorrente em todo o país. Repudiamos esses bárbaros atos não somente por que se configuram enquanto crimes de ódio, mas por que defendemos o respeito e a liberdade religiosa para todas as pessoas e, por isso, buscamos “Celebrar a diversidade da vida e da humanidade em todas as suas formas, respeitando as diferenças e promovendo o diálogo”, tal qual consta no estatuto que rege a nossa instituição.
Desse modo, ao defendermos e celebrarmos a diversidade da vida, para além do direito à liberdade religiosa, reconhecemos os terreiros de matrizes africanas, sobretudo, os terreiros de candomblé, como instituições seculares voltadas para a luta e a resistência do povo negro no Brasil, preservando um riquíssimo legado cultural que tem o seu valor historicamente invisibilizado devido ao racismo institucional e, mais especificamente, ao racismo religioso, consequência direta do criminoso sistema escravagista brasileiro.
É também nosso dever reconhecer e denunciar que a perseguição e “demonização” dos cultos afro-brasileiros, outrora praticada pelo braço armado do Estado, a polícia, atualmente é orquestrada, incentivada e praticada, estrategicamente definida através de um projeto político de poder, por lideranças evangélicas de diferentes denominações, que se utilizam dos púlpitos, de canais de comunicação diversos e de assentos, principalmente, no poder legislativo, em âmbito, municipal, estadual e federal em diferentes regiões e com grande avanço pelo território brasileiro. Sim, são essas as pessoas que verdadeiramente têm as mãos sujas do sangue físico e simbólico derramado pelas pessoas adeptas das religiões afro-brasileiras. Nós, da Aliança de Batistas do Brasil, não coadunamos, sob hipótese alguma, com esses discursos criminosos!!
Assim, nos irmanamos na dor, mas, também na luta com as pessoas que têm a sua prática religiosa firmada nos cultos de matrizes africanas e apelamos às instâncias governamentais por decisões contundentes, marcadas por ações que protejam de forma eficaz o direito dessas irmãs e irmãos realizarem seus cultos e práticas publicamente, reparando também, dessa maneira, danos históricos e atuais intencionalmente perpetrados contra o povo negro no Brasil.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!