Justiça ao povo Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul
08 de janeiro de 2020
O Fórum Ecumênico ACT – Brasil, integrado por igrejas e organizações baseadas na fé solidariza-se com as comunidades indígenas Guarani e Kaiowá do Estado de Mato Grosso do Sul e expressa sua indignação diante das reiteradas violências impetradas contra elas. Denunciamos o incêndio da Casa de Reza da Comunidade Guarani Laranjeira Nhanderu, no município de Rio Brilhante, bem como, os ataques a tiros á mesma comunidade. Nada justifica os atos de violência como o ocorrido em Dourados, no último dia 03, que deixou três indígenas e um “segurança” dos latifundiários feridos a bala. É grave o uso de armas letais, incluindo granadas, nas ações militares. Recebemos a informação de que uma criança indígena teve os dedos mutilados ao manusear posteriormente uma granada deixada no local. Exigimos que estes casos de violência sejam investigados de forma independente o mais breve possível. Assim como, exigimos investigações sobre atropelamento de uma família indígena também na cidade de Dourados.
Em função deste quadro de permanente agressão e tentativa de extermínio das comunidades Guarini e Kaiowá, o Fórum Ecumênico ACT – Brasil manifesta seu apoio à missão emergencial que será realizada nesta quarta-feira, dia 08 de janeiro, por diversas organizações ecumênicas. Apoiamos as reivindicações desta Missão Ecumênica Emergencial que são: Respeito às religiões originárias dos povos indígenas, fortemente simbolizadas, no caso Guarani e Kaiowá, por suas Casas de Reza;
- Responsabilização e consequente punição das pessoas mandantes e das pessoas que praticaram os atos de violência;
- Proteção incondicional às comunidades tradicionais e responsabilização dos órgãos estatais que descumprem o mandato de proteger esses grupos;
- Retomada dos processos de identificação e regularização dos territórios Guarani Kaiowá por parte da FUNAI, do Ministério da Justiça e da Presidência da República, único meio concreto de impedir um genocídio ainda maior;
- Acordos justos de indenização por interesse social aos proprietários rurais que estão em terras indígenas para amenizar os conflitos
FORUM ECUMÊNICO ACT – Brasil
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
“Sou a presidente aqui da Comunidade Quilombola Menino Jesus e é um prazer, uma honra, receber o pessoal das igrejas que fazem parte da CESE. A gente sempre gosta de receber pessoas, tanto daqui de perto quanto de longe, e com vocês não foi diferente. Sempre procuramos dar o nosso melhor para acolher quem chega e para mostrar um pouco da nossa comunidade e da nossa luta. Falar do nosso quilombo é motivo de muito orgulho para nós. Temos orgulho de ser quilombolas, da nossa história e da nossa identidade”
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
‘Seguimos sendo uma igreja profética, que transforma palavras em ações e apoia aqueles povos que historicamente sofrem as consequências das desigualdades. Saio deste momento com muita gratidão. Parabéns à CESE por, em nome das igrejas, estar comprometida com a defesa dos direitos humanos, a justiça social e a luta dos povos e comunidades tradicionais em todo o território nacional. Continuem contando conosco.” – Pastor Mauro Batista de Souza (IECLB).
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.