Homenagem da CESE a Pedro, do Araguaia
08 de agosto de 2020Embora a comoção e a tristeza sejam imensas, o encantamento de D. Pedro Casaldáliga deveria ser celebrado como cântico de louvor por Deus ter agraciado ao mundo a existência dessa pessoa tão singular, tão excepcional. Um profeta-poeta que cumpriu sua vocação pastoral de forma tão apaixonada.
Pedro, como gostava de ser chamado, vivia de maneira simples, do jeito do povo a quem servia, mesmo podendo ser Dom, príncipe, e arrogar o poder se quisesse, na condição de bispo. Optou por praticar, na radicalidade evangélica, a humildade e as bem-aventuranças e, inspirado pela ira corajosa típica dos grandes profetas, enfrentou, com firmeza e poesia, fazendeiros, militares e outros poderosos para defender pobres, índios, posseiros, rios e florestas. Se por um lado, foi odiado, perseguido e caluniado, por outro, foi amado, admirado e serviu de inspiração a gerações que buscaram no seu exemplo, nas suas palavras e na sua poesia referência e alimento para as lutas.
Malditas sejam todas as cercas… que nos privam de viver e amar, poetizou profetizando. Era amado pelo povo com quem viveu desde 1970 numa simples casa na Prelazia de São Felix do Araguaia.
Pedro é a expressão mais genuína dos valores civilizacionais e do sentido profundo de humanidade; da radical coerência entre o que acreditava e o que praticava; uma referência da luta democrática e pelos direitos do povo e da natureza. Por esse motivo, ele é universal e seu legado é atemporal.
Pedro, descanse em paz à sombra de um pequizeiro, que cresce e fecunda o fruto com as águas mornas do seu querido Araguaia. E do Paraíso que te acolhe em festa, inspira-nos a derrubar todas as cercas e todas as leis que fazem a terra escrava e escravos os humanos.
Pedro, Presente!
CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço
8 de agosto de 2020

VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.