Fórum Mundial de Teologia da Libertação acontece de 12 a 16 de março em Salvador(BA)
12 de março de 2018
Entre os dias 12 e 16 de março, Salvador (Bahia) recebe o Fórum Mundial de Teologia da Libertação. Realizado no Convento das Irmãs Mercedárias, no Rio Vermelho, o evento reúne diversas expressões de fé de distintas partes do mundo: Brasil, Chile, Canadá, Estados Unidos, México, Índia, Bélgica, Espanha e Quênia.
Uma mística que teve como elo central a água (e seus diversos significados a partir de cada expressão de fé) deu início à reunião. A escolha do elemento, segundo a diretora executiva da CESE, Sônia Mota, faz uma conexão com o Fórum Alternativo Mundial da Água, que acontecerá de 17 a 22 de março em Brasília (DF). Celebraram a mística representantes do cristianismo (Frei Henrique Pelegrino, da Igreja da Trindade); Pastor Joel, da Igreja Batista do Brasil e vice-presidente da CESE); islamismo (Sheikh Ahmad, do Centro Islâmico da Bahia); e candomblecismo (Mãe Vânia, do IlÊ Axé Kale Bokun).
Uma contextualização sobre os avanços dos fundamentalismos religiosos no Brasil e o desafio da “teologia em conseguir levar comunhão, fé, esperança entre os homens e a criação” pautou a reflexão de Romi Márcia Bencke, secretaria geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic). Trazendo um panorama regional, foram convidadas a pastora da Igreja Presbiteriana Unida, Sônia Mota; Ana Gualberto (Koinonia) e Bianca Daebs (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil).
Após a apresentação de Salvador e suas disparidades sociais, Ana Gualberto apresentou um retrato da desigualdade racial na Bahia e a intolerância religiosa que atinge principalmente os povos de matriz africana. “A intolerância religiosa mata no Brasil. Só no Estado, cresceu em 300% os casos de intolerância religiosa no último ano; 80% das denúncias são de povos de matriz africana. Esses dados afirmam o racismo”, pondera Gualberto.
No campo de gênero, a sub-representatividade das mulheres na política foi abordada por Bianca Daebs, que trouxe os seguintes dados para sua explanação: das 63 pessoas que ocupam cargos como deputados estaduais, apenas oito são mulheres; dos 43 vereadores, oito são mulheres (e apenas uma é negra). “Isso diz sobre quem pensa as leis dessa cidade”, avalia.
A violência contra as mulheres também foi apontada por Daebs. Só no 1º semestre de 2017, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia registrou 23 mil casos de violência contra as mulheres, 23 casos de feminicídio e 150 homicídios dolosos.
A programação do Fórum Mundial de Teologia da Libertação segue até o dia 16 de março.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE