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Formação em gênero e elaboração de projetos fortalece direitos de mulheres indígenas do Cerrado
15 de junho de 2019
Entre os dias 09 e 13 de julho, foi realizada, em Campo Grande (MS), a oficina sobre “Formação em Relações Sociais de Gênero e Elaboração de Projetos” com mulheres de organizações indígenas e indigenistas do Cerrado. A atividade foi realizada pela CESE, em parceria com o Conselho Indigenista Missionário e o Centro de Estudos Bíblicos de Mato Grosso do Sul, e apoio da agência Heks-Eper.

Um total de 30 mulheres (dentre elas 22 mulheres indígenas de dez etnias) passou pelo processo de formação, que teve como objetivo o aprofundamento das concepções de gênero (a partir das experiências concretas das mulheres indígenas do Cerrado) e o fortalecimento de capacidades em torno da elaboração de projetos (contribuindo para que elas estabeleçam propostas para o enfrentamento das desigualdades de gênero).
A partir da formação, Ivalnida Terena desenhou um projeto para a realização da 2ª Assembleia das Mulheres Terena em março de 2020. “Como parceira, a CESE vem buscando valorizar a nossa luta, incentivando e colaborando para a expansão da nossa resistência e ajudando também nas elaborações de projetos”.



Na perspectiva de Eloenia Takina, um dos desdobramentos-chave da formação foi o processo de auto reconhecimento das mulheres. “Várias delas não sabiam o que era feminismo. Elas se perguntavam: ‘mas será que eu sou feminista? O que é ser feminino?’, relembra. “Mas ao longo da oficina, foram abordadas essas questões e, no final, as mulheres falaram: ‘mas eu sou feminista!. É isso que eu estou fazendo na minha aldeia. Eu estou buscando o fortalecimento das mulheres, eu estou chamando as mulheres para participar de reuniões, dos eventos, eu busco essa igualdade dentro da minha aldeia… então eu sou feminista!’”, recorda Elônia sobre os cinco dias de vivência.
Após a oficina, os grupos participantes foram convidados para a apresentação de uma proposta ao Programa de Pequenos Projetos da CESE, considerando os campos temáticos prioritários: direito a terra e água e território, autonomia econômica das mulheres, fortalecimento dos espaços de auto-organização das mulheres, direito à identidade na diversidade, agroecologia e resiliência, participação efetiva em espaços de poder e incidência política.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.