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Encontro com mulheres do Norte de Minas articula autoestima, ancestralidade e luta por territórios tradicionais

09 de abril de 2026

Cerca de 110 mulheres quilombolas, pescadoras, vazanteiras, camponesas e indígenas participaram, no Norte de Minas Gerais, do encontro “Trançando vidas e cabelos, resgatando memórias e esperanças nos territórios tradicionais”, iniciativa que articula formação política, valorização da identidade negra e fortalecimento das lutas por terra e território.

A iniciativa, organizada pelo Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP/MG), em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG), surge da escuta direta das mulheres que vivem nos territórios e enfrentam cotidianamente os impactos do avanço de grandes empreendimentos e da ausência de políticas públicas. Expulsões dos povos tradicionais e grilagem de terras acompanhada da degradação ambiental tornaram-se parte do cotidiano no território, situado no Cerrado, bioma que tem sido destruído pela expansão do agronegócio nas últimas décadas.

“Devido a árdua luta por terra, e a falta de acesso a direitos básicos inerentes a dignidade da pessoa humana, percebe-se o quanto as mulheres pretas das comunidades quilombolas tradicionais se encontram feridas, cansadas, sem autoestima, e, principalmente, apresentando sinais de ansiedade e até mesmo depressão”, apontam as organizadoras do projeto, apoiado pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), e desenvolvido em torno da preocupação com o quanto as mulheres das famílias pesqueiras e camponesas estavam fragilizadas e tornaram-se presas fáceis para a exploração dos que vão se apossando dos territórios tradicionais. “Percebemos também a necessidade de apoio psicológico com terapias, de fomentar práticas Integrativas de saúde (PICs), terapias holísticas, e também de promover ações que resgatem a autoestima ancestral da mulherada preta de luta.”

A programação do encontro foi estruturada a partir de metodologias participativas, articulando reflexão política, práticas culturais e cuidado coletivo. Oficinas, rodas de conversa e vivências abordaram o cabelo como cultura, ato político e vontade de quebrar velhos padrões de opressão, trazendo o significado político da identidade negra e o papel da estética como ferramenta de resistência. Um dos momentos centrais foi a roda de conversa sobre o cabelo como expressão cultural e política, seguida por oficinas de tranças e penteados afro conduzidas por mulheres participantes.

“O objetivo principal do encontro foi, à luz da esperança jubilar, reconhecer o valor e fortalecer a memória e a autoestima de mulheres pretas, trançando vidas e arte na luta pelos territórios tradicionais”, explicam.

Ao longo das atividades, houve espaço ainda para debater temas urgentes como o fim escala 6×1, a redução da jornada, a isenção do Imposto de Renda e a taxação dos super-ricos.

O encontro também promoveu intercâmbios entre diferentes experiências de resistência, fortalecendo vínculos comunitários e redes de apoio. Entre os resultados apontados pela CPP e pela CPT estão a valorização da beleza negra e dos saberes ancestrais, o fortalecimento da autoestima e o engajamento das participantes nas lutas por direitos e pela regularização de seus territórios.

“Mulheres negras bem cuidadas e engajadas dentro das comunidades, animadas a lutar pelo Bem Viver e articuladas nas esferas políticas, social, espiritual e pessoal”, completam. As participantes também saíram da atividade se organizando em torno da luta pela regularização territorial e reforma agrária de seus espaços de vidas junto a suas comunidades, e pela implementação de ações que atuem na superação das violências e dos conflitos de terra vivenciadas pelas pescadoras e camponesas em seus territórios.

O apoio da CESE, afirmam as organizadoras, foi de grande importância especialmente para viabilizar a participação de mulheres de diferentes localidades. “Estamos falando de mulheres quilombolas, pescadoras, vazanteiras, camponesas e indígenas que se reuniram para fortalecer autoestima, ancestralidade e luta por territórios tradicionais”, pontuam. O apoio também possibilitou que fossem produzidos materiais didáticos personalizados, como folder, ecobags, canecas, credenciais e camisetas.

Programa de Pequenos Projetos

Desde a sua fundação, a CESE definiu o apoio a pequenos projetos como a sua principal estratégia de ação para fortalecer a luta dos movimentos populares por direitos no Brasil.

Quer enviar um projeto para a CESE? Aqui uma lista com 10 exemplos de iniciativas que podem ser apoiadas:

  1. Oficinas ou cursos de formação
  2. Encontros e seminários
  3. Campanhas
  4. Atividades de produção, geração de renda, extrativismo
  5. Manejo e defesa de águas, florestas, biomas
  6. Mobilizações e atos públicos
  7. Intercâmbios – troca de experiências
  8. Produção e veiculação de materiais pedagógicos e informativos como cartilhas, cartazes, livros, vídeos, materiais impressos e/ou em formato digital
  9. Ações de comunicação em geral
  10. Atividades de planejamento e outras ações de fortalecimento da organização

Clique aqui para enviar seu projeto! Mas se você ainda tiver alguma dúvida, clica aqui.

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