Discurso de ódio na internet pode resultar em morte de inocentes
18 de julho de 2019
O debate de ideias é sempre salutar nas sociedades democráticas. A divergência, ao contrário de empobrecer estruturas, fortalece a democracia, amplia direitos e promove a diversidade.
Nos últimos meses, porém, o Brasil tem visto uma onda de discursos de ódio tomar conta das redes sociais. Nesses ambientes, sobra intolerância e falta amor. Não é por acaso que o salmista aconselha: “Evite a ira e rejeite a fúria; não se irrite: isso só leva ao mal” (Salmos 37:8).
Nos noticiários acompanhamos situações cada vez mais assustadoras:
– MBL denuncia agressão em ato de SP;
– Manifestante que levantava faixa de Marielle é agredido;
– PM quebra braço de dirigente do PT em delegacia de Atibaia;
– Motorista avança sobre manifestação do MST e mata homem de 72 anos;
– Homem atira contra acampamento de manifestantes a favor do ex-presidente Lula.
O que ainda não compreendemos?
Parece que ainda não entendemos que vidas são colocadas em risco quando um líder religioso afirma orar para que Deus possa “remover opositores de Bolsonaro”, ou quando um pastor famoso chama pessoas que tem afinidade com a esquerda de “esquerdopatas” – uma junção entre a palavra esquerda e psicopata ou sociopata. Enquanto cristãs e cristãos, precisamos semear a paz e trabalhar para fortalecer o diálogo pacífico de ideias (Tiago 1:19-20).
De acordo com a pastora presbiteriana Sônia Mota, diretora executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), vivemos um estado de barbárie. “É a materialização do ódio aliado à licença para matar com a certeza da impunidade. No caso do manifestante do MST que foi propositalmente atropelado, temos o sangue de mais um trabalhador jorrando na terra e gritando por justiça. Como pastora, lembro do Cristo, morto e assassinado pelos poderes políticos, econômicos e religiosos da sua época e penso: muda o cenário, mudam os personagens, mas a situação é a mesma. O evangelho nos impele a não calarmos enquanto sangue inocente continuar sendo derramado”, declarou.
“O ódio que vemos contra pobres, mulheres, indígenas, quilombolas, LGBTQI+ não é isolado. Ele está articulado com questões econômicas. É um ódio construído e fortalecido por forças econômicas do agronegócio, da mineração e de empresas interessadas em nossa água, nosso petróleo, nossos recursos, sempre com vistas a acabar com nossa soberania nacional e nos destruir como país”, declarou a secretária-geral do CONIC, pastora Romi Bencke.
Fonte CONIC
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.