Baianão Ecumênico estimula diálogo e convivência inter-religiosa
09 de outubro de 2017



Diálogo Ecumênico e Inter-religioso; comunhão fraterna entre adeptos de diferentes formas e expressões do crer; engajamento nas questões políticas e sociais; e promoção de políticas públicas inclusivas foram os temas do “Baianão Ecumênico – Diversidades em Convivência: Esperança Ecumênica”, promovido pelo CEBIC (Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs).
O evento aconteceu no último final de semana (6, 7 e 8 de outubro) na Casa de Retiro Dom Amando, em Salvador. O encontro criou espaços de colaboração e convivência, com troca de experiências e o enriquecimento mútuo a partir das diferentes expressões de fé que estavam presentes.
Diante do quadro de intolerâncias e crescimentos dos fundamentalismos que toma conta da nossa sociedade, e vendo estes fenômenos crescerem de forma exacerbada, a CESE não só se fez presente, como também apoiou a iniciativa. Para Sônia Mota, diretora executiva da CESE, por ser uma organização ecumênica é imprescindível o apoio e a promoção da convivência entre as pessoas de crenças diferentes; “No caso do Baianão, o tema já diz que veio. Em tempos de intolerâncias, promover espaços de diálogo, onde o respeito entre as diversidades seja a temática é fundamental que a CESE esteja apoiando.”.
Assim como Sônia, Romi Bencke, Secretária Geral do CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, contextualiza que muitas dessas intolerâncias estão dentro das comunidades religiosas: “Eu penso especificamente no povo de terreiro, nas mulheres, na população LGBT, na população negra. Sabemos que há muito sexismo, muito racismo e desrespeito religioso”.



Com o objetivo de refletir sobre as intolerâncias, o respeito do direito de ser e existir das pessoas e a construção de relações justas e inclusivas foram utilizadas metodologias diferenciadas com palestras, momentos lúdicos, rodas de diálogo, trabalhos em grupo, troca de experiências e momentos celebrativos.
A ideia é que a partir de todas as vivências e discussões realizadas, cada participante do Baianão Ecumênico, ao retornar para sua comunidade de origem, seja um/a multiplicador/a dos processos e dos valores trabalhados durante esses dias de atividades.
Para Romi, uma expectativa de compromisso assumido, que possa impactar diretamente nas formas em que as comunidades vivenciam o seu testemunho cristão, é de uma maior acolhida à diversidade: “O encontro ecumênico além de promover a convivência entre diferentes igrejas, também nos compromete e nos desafia para levarmos essa experiência de convívio lá no lugar onde estamos, quebrando os preconceitos.”.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.