O que está em jogo no segundo turno
11 de outubro de 2018
Não se pode dissociar a defesa dos direitos humanos da defesa da democracia. A democracia pressupõe disputas de projetos e de campos ideológicos, assim como a aceitação incondicional dos resultados das urnas — expressão soberana dos anseios populares. Tais disputas são naturais e, em certa medida, saudáveis desde que travadas no campo estrito das ideias e do respeito às regras estabelecidas.
Mas existem limites que se esperam de qualquer candidatura que postule o cargo de representante máximo do Estado, entre eles a adesão inconteste ao texto Constitucional, aos valores democráticos e republicanos, bem como o respeito à pluralidade e às minorias que compõem a sociedade brasileira.
Não é novidade que os conceitos de direitos humanos, justiça e cidadania vêm sendo deliberadamente distorcidos nos palanques eleitorais em diversas partes do mundo em busca de votos daqueles que se encontram profundamente desiludidos com a política. Neste pleito, porém, a ameaça está se traduzindo em um discurso abertamente violento, autoritário e discriminatório –uma retórica anacrônica que remete aos horrores dos anos de chumbo. Inaceitável sob qualquer circunstância.
Devemos disputar o significado dos direitos humanos e não aceitar sua captura pelo discurso de ódio. É preciso, incansavelmente, esclarecer e reafirmar: os direitos humanos são um marco na defesa dos cidadãos e cidadãs e das liberdades individuais. Eles não pertencem a partidos nem a ideologias. Os direitos humanos são de todos e todas nós, sem distinção de raça, classe, credo, gênero, orientação sexual ou qualquer outra condição.
O próximo presidente da República deve assumir e respeitar esses princípios. Não queremos o Brasil governado pelo ódio e a intolerância, com o total desrespeito às instituições democráticas e ao que determina nossa Constituição.
A Conectas nasceu para defender e promover os princípios dos direitos humanos como pilar básico para uma sociedade justa, livre e democrática e será incansável na sua defesa. Esperamos que os eleitores e eleitoras votem nesse segundo turno por quem defenda e respeite esses valores. De forma independente e apartidária, nós na Conectas seguiremos firmes em nossa missão.
Fonte: Conectas
Imagem: Reprodução
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)