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Pronunciamento do Fórum Ecumênico ACT Brasil em solidariedade à comunidade Kaiowá e Guarani do Tekoha Guapo’y
28 de junho de 2022

E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra.
(Gn 4.10)
As igrejas e organizações baseadas na fé, que integram o Fórum Ecumênico ACT – Brasil vêm a público manifestar sua solidariedade à comunidade Kaiowá e Guarani do Tekoha Guapo’y e juntar-se ao grito de dor e indignação que ecoa sobre o sangue derramado de Vítor Fernandes e também das demais pessoas feridas por armas de fogo que se encontram hospitalizadas.
As imagens, depoimentos e relatos mostram a truculência da ação policial, que fez uso de um helicóptero como plataforma de tiro contra as famílias indígenas da retomada, incluindo crianças e idosos.
Diante disso, denunciamos:
- a ação ilegal de despejo, sem mandado judicial, praticado pela Polícia Militar (PM) de Mato Grosso do Sul no dia 24 de junho de 2022, quando um grande contingente de policiais da tropa de choque da PM de Amambai (MS) atacou crianças, jovens, idosos e famílias que, depois de anos lutando por seus direitos, decidiram retomar parte do território que lhes foi roubado;
- a tentativa de criminalização dos movimentos e dos povos originários em suas lutas por seus territórios e pelo seu direito de existir;
- a narrativa abjeta de associar os povos indígenas e sua luta legítima ao tráfico de drogas, como se isso justificasse ações violentas por parte do Estado;
- o descaso histórico e deste governo com o território dos povos originários e o desmonte das políticas indigenistas e socioambientais que têm transformado Mato Grosso do Sul, terra invadida por latifundiários e pelo agronegócio, em território de perseguição de lideranças de povos indígenas e comunidades tradicionais.
Manifestamos profunda indignação diante da omissão do governo brasileiro, que, ao omitir-se, torna-se responsável por mais um ataque aos povos indígenas, semanas após as brutalidades dos assassinatos de Bruno e Dom.
Reafirmamos o nosso compromisso com os direitos humanos, com os direitos dos povos indígenas e nos somamos às lideranças religiosas, entidades de apoio indígenas e indigenistas, igrejas e sociedade civil organizada para exigir uma investigação séria, que aponte e a responsabilize os órgãos, mandantes e pessoas envolvidas neste massacre.
Nas Missões Ecumênicas que realizamos em 2015 e 2016 nos territórios Guarani-Kaiowá, vimos de perto a opressão e escutamos o clamor daquele povo. Vimos também suas lutas e resistências. Conclamamos as pessoas de fé a se unirem em solidariedade e que façam ecoar este grito por justiça, liberdade e por vida digna. Não nos calarão!
Brasília, 27 de junho de 2022
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)