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Projeto Dabucury: formação de Agentes de Monitoramento fortalece preservação ambiental e autonomia de povos indígenas em Rondônia

04 de maio de 2026

Na Terra Indígena (TI) Igarapé Lourdes, no município de Ji-Paraná (RO), a formação e organização dos povos Gavião (Ikólóéhj) e Arara (Karo) têm contribuído cada vez mais com a autonomia da comunidade e proteção do meio ambiente. A partir do projeto “Pagála Atinie: Protegendo Nosso Território”, apoiado pelo 1º Edital do Projeto Dabucury, dezenas de indígenas têm sido capacitados como brigadistas e agentes de monitoramento da TI, fortalecendo a segurança das famílias e o combate aos incêndios na região, que todos os anos sofre com queimadas.

Coordenado pela Associação Indígena Zavidjaj Djiguhr (ASSIZA), o projeto realizou no ano passado duas turmas de formação da Brigada de Incêndio Florestal Indígena, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia (CBM/RO). Cerca de 50 indígenas participaram da iniciativa, que abordou conteúdos teóricos e práticos sobre combate a incêndios florestais, técnicas de prevenção, primeiros socorros e uso adequado de equipamentos especializados.

Josias Cebirop da Silva, articulador institucional da ASSIZA, destaca a importância da formação para a defesa do meio ambiente e da manutenção da cultura dos povos tradicionais.

“Os cursos de brigadistas para indígenas são fundamentais para fortalecer a autonomia das comunidades na proteção de seus territórios. Ao capacitar-se tecnicamente para prevenir e combater incêndios florestais, os indígenas passam a atuar diretamente na preservação da biodiversidade, na proteção de áreas sagradas e na manutenção de seus modos de vida tradicionais”, salienta.

Qualificação e reconhecimento

Em 2026, o projeto deu mais um passo para ampliar suas estratégias de organização e proteção. Nos dias 12 e 13 de fevereiro, foi realizada no Centro de Referência do Povo Ikólóéhj e Karo a capacitação de 40 Agentes Indígenas de Monitoramento Territorial. A atividade contou com a participação das duas etnias e contemplou conteúdos teóricos e práticos sobre monitoramento territorial participativo, uso de equipamentos, aplicativos de campo, geoprocessamento, planejamento de missões e protocolos de segurança.

Com metodologia participativa, que incluiu atividades como operação de drone e simulações de campo, a formação, na avaliação de Josias, fortalece ainda mais a comunidade. “As ações realizadas contribuíram para a organização das equipes, fortalecimento da atuação em campo e ampliação da capacidade técnica e operacional dos agentes, garantindo melhores condições para execução das atividades de vigilância e proteção territorial”, destaca o articulador.

Josias também ressalta a importância da formação para a articulação institucional dos povos indígenas junto ao poder público.

“Esses cursos promovem o reconhecimento dos povos indígenas como agentes qualificados na gestão ambiental e ampliam suas articulações com órgãos públicos como o Corpo de Bombeiros e o ICMBio. Assim, as brigadas indígenas se consolidam como uma estratégia eficaz de defesa do território, prevenção de riscos e fortalecimento institucional das comunidades.”

Um dos resultados concretos deste trabalho foi o ingresso de  indígenas na equipe do Corpo de Bombeiros do município de Ji-Paraná. “Eles abriram um processo seletivo temporário, e sendo que nossos indígenas já estavam aptos a participar, nós conseguimos ingressar três indígenas”, conta Josias. “Isso, para nós, foi um motivo de muito orgulho, porque foi um desdobramento do projeto”, destaca.

Protagonistas da própria história

A TI Igarapé Lourdes se localiza numa região que vem sendo fortemente impactada pelas mudanças climáticas. A alteração na intensidade e duração dos períodos chuvosos e secos, por exemplo, têm gerado impactos diretos na economia e subsistência das famílias. Além disso, a carência de estrutura para a vigilância e cuidado do território fragiliza ainda mais a comunidade, deixando-a mais vulnerável não apenas às queimadas e outros problemas ambientais, como também às invasões e grilagem de terras.

Nesse contexto, o apoio do Projeto Dabucury tem sido avaliado pela ASSIZA não apenas como um salto de qualidade na organização do território, como também uma experiência que amplia a capacidade de atuação dos povos indígenas e fortalece o seu protagonismo. Atualmente a associação atua em diferentes frentes, como proteção territorial, preservação ambiental, reflorestamento, Sistemas Agroflorestais (SAFs), dentre outras atividades. E, a partir do Dabucury, outras iniciativas já estão sendo desenvolvidas, dando continuidade ao processo iniciado pelo projeto.

Nós somos muito gratos a CESE, COIAB e ao Fundo Amazônia por ter nos dado essa oportunidade, especialmente de mostrar a capacidade de gestão da associação, que é uma associação de fato indígena, de dentro da aldeia”, salienta Josias. “Hoje podemos dizer que nós estamos construindo a nossa própria história, nós estamos mostrando que também somos capazes de fazer a gestão do nosso território, também nós somos capazes de ter uma associação legalmente construída, fortalecida”, completa o articulador.

Sobre o Dabucury

Frente às ameaças de desmatamento, degradação ambiental, causas por diversos  fatores de pressão nas terras indígenas, tais como: o agronegócio, mineradoras e demais empreendimentos de infraestrutura, nasce o Projeto “Dabucury- Compartilhando Experiências e Fortalecendo a Gestão Etnoambiental das  Terras Indígenas da Amazônia Brasileira”, uma iniciativa da CESE e da Coiab,  com apoio do Fundo Amazônia/ BNDES a fim de apoiar projetos de gestão territorial e ambiental indígena, no intuito de avançar na implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI)  e viabilizar o acesso das organizações indígenas aos recursos para realização dos seus projetos.

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