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Foco no Cerrado: roda de diálogo discute a interseção entre o antirracismo e os sistemas alimentares

24 de abril de 2026
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Foco no Cerrado: roda de diálogo discute a interseção entre o antirracismo e os sistemas alimentares

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O diálogo reforçou que é preciso reconhecer as mulheres e os saberes dos territórios na defesa de direitos no Cerrado

Com o tema “Sistemas Alimentares e Antirracismo” a roda de conversa realizada pela CESE, com apoio do Instituto Ibirapitanga, reuniu no dia 17 de abril cerca de 20 lideranças, comunicadoras e comunicadores populares e representantes de organizações sociais para reiterar o compromisso em defesa dos povos do Cerrado e de seus territórios, por justiça social e ambiental, equidade de gênero, raça e etnia.

A atividade promoveu trocas de experiências sobre resistências e estratégias dos territórios junto a projetos realizados com o apoio da CESE, além de possibilitar percepções diversas sobre o cenário político e social atual.

O dia começou com um momento de integração e abertura no sentido de lembrar as construções de saberes, que são coletivas e de acolhimento. Em seguida, todas e todos foram convidadas e convidados a pensar sobre a conjuntura social, racial e de gênero. Temas como juventudes, racismo ambiental, eleições, os usos das IAs, o avanço das Bets, a falta de recursos para a defesa do Cerrado, feminicídio e violência contra as mulheres no campo, regulamentação das mídias, a importância da comunicação popular e a criminalização dos movimentos sociais, se destacaram.

Ainda sobre este último, em Goiás, a constante ameaça e criminalização dos movimentos sociais e dos que defendem o direito à reforma agrária mostraram sua perversidade. Durante a roda de conversa, recebemos a notícia da prisão de advogadas e advogados populares, lideranças e até de um vereador de Goiânia, durante ato do Abril Vermelho e em memória do Massacre de Eldorado dos Carajás, promovido pelo Movimento Sem Terra de Goiás, no Assentamento em Santa Helena – GO.

Estratégias que nascem nos territórios

No segundo momento da roda de conversa, o grupo trocou saberes sobre quais estratégias estão sendo utilizadas para a produção de alimentos, pautando também a questão da água, que é central no Cerrado, considerado berço das águas. Foram pautadas várias trajetórias e experiências de projetos realizados, sendo uma das estratégias a produção agroecológica e os saberes ancestrais de cuidado com respeito ao território, aos modos de vida e ao planeta.

“É preciso ter uma relação com a terra. Esse tipo de tema nos remete aos saberes ancestrais enquanto instrumento de combate e de proteção ao Cerrado e a todas as formas de vida. Devemos considerar e sobretudo compreender que as tecnologias ancestrais utilizadas desde os meus tataravós no meu território, são tecnologias que respaldam, que preservam e que, sobretudo, nos auxiliam e auxiliam o bioma a tá sempre se regenerando”, ressalta Rosinalda Olasèni, Quilombola, Arqueóloga, integrante do Instituto Pretas e presidente da Associação Quilombo Água Limpa – Faina (GO).

“Na minha comunidade a gente trabalha com plantio, com remanejo de plantio. Nós trabalhamos também com o que a gente chama de roça de toco, que é aquele sistema de plantio que respeita as árvores maiores que estão na terra e acredita que elas ainda ajudam para que a terra não se desgaste tanto durante o processo de plantio de grãos. Para além disso, existe um sistema rotativo que deixa a terra descansar. E há também a prática do plantio de plantas que ajudam a regenerar o solo”, conta a liderança.

Além disso, foi ressaltado que quando as mulheres falam sobre os desafios dos territórios, mostram não só os problemas que recaem na família, mas também em suas produções na terra. São elas, que no campo, estão à frente da organização, do pensar e do fazer agroecológico.

Fortalecer a permanência das mulheres no campo, com bem viver, é um assunto de segurança alimentar, se trata também em fazer com que os alimentos circulem nos territórios que produzem. E ainda, sobre as formas de combater os desafios, foi pontuado que as estratégias precisam considerar a comunicação popular para ampliar outras narrativas sobre agroecologia, sobre os povos do Cerrado e fazer as disputas de espaços, inclusive, acionando políticas públicas.

“O projeto com a CESE, sobre racismo e sistemas alimentares, a gente desenvolveu aqui na região do Cerrado, com as mulheres, onde a gente trabalhou a questão da produção, da comercialização e autonomia financeira. Esse projeto muito ajudou essas mulheres a avançar nas suas estratégias de luta e de resistência”, relata Leila Lemes, da Comissão Pastoral da Terra e da Articulação de Mulheres do Cerrado.

Assim, a CESE, ao promover momentos de escuta presencial, reafirma a continuidade do trabalho articulado, afinado com os movimentos sociais e as organizações do campo, das cidades e das águas. É um momento de aprendizado conjunto e de avaliação para melhor atuar com as pluralidades que emergem dos territórios, visando à defesa de direitos.

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